Brasil deveria investir mais no desenvolvimento de seus superdotados

Por SOMOS Educação

Após encomendar uma avaliação para uma consultoria, o Ministério da Educação (MEC) chegou a uma conclusão que merece atenção: o Brasil tem dificuldades para identificar e desenvolver seus alunos superdotados, ou seja, aqueles que possuem altas habilidades.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), na estimativa mais tímida, ao menos 5% da população brasileira se encaixaria no perfil de superdotado. Isso daria um número aproximado de 10 milhões de pessoas. Dados do Censo Escolar de 2016, porém, registram apenas 15,9 mil pessoas com altas habilidades na educação básica. Vale lembrar que o país tem quase 49 milhões de estudantes. Ainda de acordo com o censo, desses alunos identificados como superdotados, apenas 244 estudam em classes exclusivas, o que faz toda a diferença no desenvolvimento.

Falta de professores preparados e de cursos específicos: obstáculos para superdotados

De acordo com o relatório gerado pela consultoria, entre os obstáculos estruturais para essa parcela especial de estudantes estão a falta de professores preparados para essa turma, além de cursos que possam atendê-los.

Legislação especial

Vale destacar que existem algumas legislações no país criadas exclusivamente para este público. Por exemplo, um artigo inserido na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em 2015, obriga estados e municípios a estabelecerem “diretrizes e procedimentos para identificação, cadastramento e atendimento, na educação básica e na superior, de alunos com altas habilidades ou superdotação”.

Especificamente em São Paulo, há uma resolução da Secretaria Estadual da Educação, que desde 2012 estabelece “aprofundamento e/ou enriquecimento curricular” em horário de aula ou turno diverso, processo de “aceleração” dos estudos e também “possibilidade de matrícula em ano mais avançados” para alunos com esse perfil.

A necessidade de uma atenção mais especial para o ensino desses alunos vai muito além do desejo de garantir que suas habilidades sejam bem direcionadas. Alunos superdotados podem enfrentar problemas comportamentais em sala de aula, por não se sentirem adequados à rotina. Em certos casos, escolas chegam a vivenciar até mesmo experiências de bullying. O eminente desinteresse do aluno diante da inadequada transmissão de conhecimento é outra preocupação, já que pode ocasionar a descontinuidade do processo de aprendizagem tradicional.

O país precisa cuidar melhor desse seleto grupo formado por brasileiros superdotados e que ainda em sua maior parte permanecem escondidos. Deve-se ter em mente que esses milhões de jovens podem usar toda a sua capacidade para contribuir com o desenvolvimento da sociedade. E para que esse trabalho seja efetivo, o caminho é de várias mãos: pelo lado do governo, através de estrutura e programas educacionais exclusivos a eles; e pelo lado dos pais, professores e gestores escolares, através de olhar clínico e atento aos sinais que possam identificar esses estudantes especiais, para que possam ser integrados nessa estrutura diferenciada de aprendizagem.

Foto: Shutterstock

 

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