Césio-137: 30 anos do mais grave acidente radioativo do Brasil

Por SOMOS Educação

Em setembro, o acidente com o césio-137, em Goiânia (GO), completa 30 anos. Considerado o maior desastre radiológico do Brasil e o maior do mundo fora das usinas nucleares, o acidente causou a contaminação de milhares de pessoas e a morte de cerca de 100 pessoas em decorrência do contato e exposição à radiação.

O acidente foi gerado em 13 de setembro de 1987, após dois catadores de lixo encontrarem um aparelho de radioterapia abandonado nas antigas instalações do Instituto Goiano de Radioterapia. Interessados na venda das estruturas de metal e chumbo da máquina em ferros-velhos da cidade, ambos se empenharam em desmontá-la.

A contaminação

Cinco dias depois, a máquina foi comprada por um dono de ferro-velho que, com a ajuda de dois funcionários, retirou o que considerava as peças mais valiosas a serem comercializadas. Entre essas peças, estava a cápsula com 19g de césio-137, substância similar ao sal de cozinha, mas que no escuro ganhava brilho e intensa coloração azul. Impressionado com essa aparência e pensando se tratar de algo de grande valor, o dono do estabelecimento não só levou a cápsula para casa como recebeu a visita de parentes e muitos moradores curiosos para vê-la de perto.

O Césio-137 causou o maior acidente radioativo do Brasil. Foto: Shutterstock

Todos que tiveram contato com o material sentiram os mesmos sintomas, como tontura, náuseas e diarreia. Intrigada com essa situação, a esposa do proprietário do ferro-velho levou a cápsula até a Vigilância Sanitária, que imediatamente identificou a substância radioativa. Somente no dia 29 de setembro daquele ano os sintomas, então, foram oficialmente reconhecidos como contaminação radioativa e, no dia seguinte, iniciou-se o processo de descontaminação da região.

A demora de duas semanas supostamente teria ocorrido por uma decisão política, para evitar que a notícia se espalhasse e atrapalhasse uma competição internacional de motociclismo que acontecia em Goiânia.

Aproximadamente 115 mil pessoas foram monitoradas e mais de 13 toneladas de material contaminado foram enviados para um depósito especial construído na cidade de Abadia de Goiás.

Números discordantes

Oficialmente, a exposição à radiação ionizante fez quatro vítimas fatais. Mas, de acordo com a Associação de Vítimas do Césio-137, o número é bem maior – se aproxima de 100. Com relação ao número de contaminados, o Ministério Público reconhece apenas 628 vítimas, mas a associação estima que o total de pessoas atingidas pela radiação seja superior a seis mil.

Marcas permanecem

Passadas três décadas da tragédia, quase mil pessoas ainda seguem monitoradas pela Superintendência Leide das Neves (SuLeide), instituição que presta assistência às vítimas. Muitos moradores expostos ao material radioativo seguem lutando na Justiça por reparações e indenizações.

Foto: Shutterstock
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