Conheça Carolina Maria de Jesus, a autora de “Quarto de Despejo”

Por SOMOS Educação

Boa parte da obra de Carolina Maria de Jesus, uma das primeiras escritoras negras do Brasil, será publicada pela editora Companhia das Letras. Neste projeto, serão publicados variados títulos, a exemplo de escritos memorialísticos, romances, poesia, música, teatro e narrativas curtas. “Quarto de Despejo”, seu principal livro, não será incluso no projeto – a 10ª edição da obra foi publicada pela editora Ática.

O conselho editorial do novo projeto é composto por Vera Eunice de Jesus, filha de Carolina, pela escritora Conceição Evaristo e pelas pesquisadoras Amanda Crispim, Fernanda Felisberto, Fernanda Miranda e Raffaella Fernandez.

Mas quem é Carolina Maria de Jesus? Neste artigo, contamos um pouco sobre a história de uma das escritoras mais importantes para a história do nosso país.

“Diário de uma favelada”

Carolina de Jesus é o retrato da vida de muitos negros brasileiros, vivendo em meio à invisibilidade e à pobreza. Nascida em Sacramento (MG), em 1914, viveu a maior parte da vida em São Paulo, na favela do Canindé, em Santana e em Parelheiros. Sua renda era oriunda de trabalhos informais. Mãe de três filhos, a escritora nunca casou para não ser submissa aos homens. Ela morreu em 1977, em decorrência de insuficiência respiratória, causada por uma asma que carregava desde a infância.

Carolina Maria de Jesus (Reprodução)

Ela foi descoberta pelo jornalista Audálio Dantas, que publicou alguns escritos do diário de Carolina na reportagem “O drama da favela escrito por uma favelada”, no jornal “Folha da Noite”, em 1958. Houve críticas e comentários negativos acerca da publicação. “Onde já se viu, uma negra semianalfabeta e ainda por cima favelada, escrevendo desse jeito”, diz uma das principais indagações dos críticos na época, de acordo com o livro O Tempo de Reportagem”, que compila as principais reportagens do jornalista. 

Dois anos após a matéria, Carolina Maria de Jesus lançou seu primeiro livro, “Quarto de Despejo – Diário de uma favelada”. A obra já foi traduzida em 13 línguas e vendeu mais de 1 milhão de exemplares. Entretanto, morreu pobre e sem tanto reconhecimento literário na época. 

“Um dos maiores desejos de Carolina Maria de Jesus era o de ser reconhecida como uma escritora capaz de escrever, além dos diários, romances, poesias, provérbios, contos, peças teatrais e letras de músicas. Ao falecer me deixou alguns pedidos numa carta e, entre eles, que eu propagasse a sua memória”, relatou sua filha Vera.

Quarto de despejo

Publicado em 1960,  “Quarto de Despejo – Diário de uma favelada” é um marco na literatura brasileira por seu caráter documental único, que expôs detalhes da vida na favela.  Carolina, que possuía pouca educação formal, escreveu entre os anos de 1955 e 1960 sobre o seu cotidiano como mulher negra, mãe solteira e trabalhadora numa favela na cidade de São Paulo

(Divulgação: Editora Ática)

O livro, de cunho autobiográfico, aborda diversos aspectos de sua vida privada e social.

Desse modo, a autora expõe a luta diária para conseguir algum dinheiro para sanar as necessidades mais urgentes da sua família, como, por exemplo, a alimentação dos seus filhos.

Em resumo, a autora, que morava em um barraco de dois vãos mal constituído com seus três filhos, narra a situação de extrema pobreza na sua favela.

A obra atualmente é cobrada em muitos vestibulares, como no exame da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). 

Foto de capa: Acervo Instituto Moreira Salles

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REFERÊNCIAS

https://www.folhadelondrina.com.br/folha-2/quarto-de-despejo-completa-60-anos-2993151e.html

https://oglobo.globo.com/cultura/obras-ineditas-de-carolina-de-jesus-sao-resgatadas-pela-companhia-das-letras-24537909

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