Conheça Harriet Tubman, ativista negra que lutou contra a escravidão e pelo voto feminino no século 19

Por SOMOS Educação

Uma mulher que foi escravizada, conquistou a própria liberdade, ajudou outras dezenas de pessoas a escaparem e se transformou em heroína nos Estados Unidos. Harriet Tubman (1822-1913), ao fugir da escravidão, atravessou clandestinamente dezenas de escravos para o norte dos Estados Unidos e do Canadá antes e durante a Guerra Civil (1860-1865). Também foi uma personagem importante na luta pelo voto feminino no século 19.

108 anos após sua morte (ela morreu aos 91 anos), a ativista poderá passar a ilustrar a nota de US$ 20. Caso a medida seja efetivada, ela será a primeira mulher negra a estampar uma nota de dólar.

Harriet Tubman morreu aos 91 anos

Origens

Apesar de não se saber a data exata do nascimento de Tubman, de acordo com  o National Park Service, agência do governo federal responsável por monumentos e propriedades históricas, pesquisas recentes indicam que ela nasceu no início de 1822, em uma área chamada Peter’s Neck, no condado de Dorchester, no Estado de Maryland.

O nome dela de nascimento era Araminta Ross, mas ganhou o apelido de Minty. Os pais, Harriet Green e Benjamin Ross, eram escravizados. A futura ativista tinha quatro irmãos e quatro irmãs e começou a servir como escrava doméstica aos cinco anos de idade. Na adolescência, passou a trabalhar como escrava na lavoura.

Foi em 1844 que se casou com John Tubman, um homem negro livre. Nessa época, também mudou seu nome para Harriet, o mesmo de sua mãe. 

Ela temia ser vendida para outro senhor de escravos quando escapou de Maryland pela primeira vez, em 1849, aos 27 anos de idade, ao lado de dois de seus irmãos, Ben e Harry. Seu marido se recusou a ir com eles e, dois anos depois, casou-se com uma mulher negra livre. De todo modo, foi uma primeira tentativa de fuga fracassada.

No dia 3 de outubro de 1849, a senhora de escravos Eliza Brodess publicou um anúncio no jornal local oferecendo recompensa de US$ 100, o equivalente a cerca de US$ 3,3 mil (R$ 17,7 mil) em valores atuais, por cada um dos três fugitivos que fossem recapturados: Minty (Tubman), Ben e Harry.

Assim, algumas semanas depois eles acabaram retornando à fazenda onde eram escravizados. No entanto, Tubman logo escapou novamente, desta vez sozinha, e conseguiu chegar à cidade da Filadélfia, onde a escravidão não era permitida. Lá, começou a trabalhar como doméstica e cozinheira.

Com o dinheiro economizado, financiou várias viagens de volta a Maryland nos 11 anos seguintes, para ajudar a guiar outros escravizados em busca de liberdade no norte. Ela se tornou a mais famosa entre os “condutores” da Underground Railroad e ficou conhecida como “Moisés de seu povo”.

A Underground Railroad era uma rede secreta de rotas e esconderijos para dar apoio àqueles que escapavam da escravidão fugindo para o norte do país ou para o Canada.  A rede já existia desde o fim do século 18, organizada por abolicionistas negros e brancos. Acredita-se que, além das pessoas que conduziu pessoalmente, ela ajudou cerca de outros 70 escravizados indiretamente, dando instruções sobre como chegar ao norte por conta própria.

Cédula de dólar

Em maio de 2015, Tubman venceu uma campanha chamada “Women on 20s”, em que mais de 600 mil americanos pediram para que uma mulher tivesse sua imagem estampada nas cédulas de US$ 20. Na ocasião, a campanha divulgou uma imagem de como seria a nota com a imagem de Tubman.

Cédula de US$ 20 com a imagem de Tubman

O plano havia sido anunciado em 2016, pelo governo Barack Obama, mas foi abandonado pelo governo Donald Trump.

Na campanha eleitoral de 2016, Trump afirmou que o plano de substituí-lo por Tubman era algo “puramente politicamente correto” e sugeriu que a ativista fosse retratada na nota de US$ 2 (que não está mais em circulação).

Agora, o governo Joe Biden anunciou que vai reativar o projeto de incluir a ativista nas notas de US$ 20.

Ela deve substituir o ex-presidente Andrew Jackson, admirado por Trump, em uma das notas mais usadas no país. Jackson estampa a cédula de US$ 20 desde 1928.

O fato de Jackson ter sido senhor de escravos e também ter papel importante na remoção violenta de indígenas de territórios no sul do país levaram críticos a pedirem que ele fosse retirado da nota de US$ 20. O plano inicial era incluir o sétimo presidente em uma cena no verso da cédula.

Fotos: Reprodução / Getty Images

REFERÊNCIAS

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2021/01/26/biden-retomara-plano-para-incluir-ativista-negra-na-nota-de-us-20.ghtml

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2021/01/27/harriet-tubman-a-abolicionista-negra-que-escapou-da-escravidao-ajudou-a-libertar-dezenas-e-devera-estampar-a-nota-de-20-dolares.ghtml

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