Corrida da vacina contra covid-19 reforça desigualdade entre países ricos e pobres

Por SOMOS Educação

De acordo com um modelo matemático feito pela inglesa The Economist Intelligence Unit (EIU), os países mais pobres do mundo podem demorar mais três anos para conseguir vacinar sua população em massa contra o novo coronavírus. Algumas nações ainda  podem nunca alcançar o marco. 

Também segundo o relatório da EIU, países como o Reino Unido, Estados Unidos, Israel e alguns integrantes da União Europeia vão alcançar a cobertura vacinal necessária para evitar a progressão do vírus até o final de 2021. Outros países desenvolvidos devem chegar nessa situação até o meio de 2022 e países de renda média no final do ano que vem.

O chefe da OMS (Organização Mundial da Saúde), Tedros Adhanom, traçou o seguinte comparativo: enquanto 39 milhões de doses de vacinas contra a covid-19 são divididas entre 49 países desenvolvidos, um país pobre recebe apenas 25 doses. Essa comparação foi feita para ilustrar as disparidades no acesso ao imunizante no mundo. Para Tedros, o planeta enfrenta “uma derrota moral catastrófica” neste início de vacinação.

Tedros Adhanom, presidente da OMS

Restrições

Os 84 países que integram o grupo dos mais pobres do mundo não receberão doses suficientes das vacinas para imunizar a população – problema esse que deve se manter durante toda a primeira metade desta década. Na lista, estão nações como Burundi, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Eritreia e Nigéria.

Segundo o estudo da EIU, o principal motivo para a demora é a restrição na produção de imunizantes de grandes companhias farmacêuticas internacionais, que entregarão doses para os países que já a reservaram – em sua maioria, mais ricos – deixando os mais pobres com poucas opções.

No continente africano, somente alguns Estados podem se beneficiar de sua participação em testes clínicos e garantir um acesso rápido às vacinas – até o momento, no entanto, não existe uma produção primária de imunizantes na África, mas locais para a fabricação deles estão sendo estudados e a ideia é prover doses o mais tardar no final de 2021 ou no começo de 2022.

Outro estudo recente aponta que a distribuição desigual de vacinas pode diminuir o PIB per capita global em mais de 9 trilhões de dólares neste ano. A principal razão se dá pela demanda de vacinas em países que não vão conseguir realizar campanhas fortes de imunização – o que poderia gerar uma crise econômica e de saúde ainda maior do que a que o mundo vive atualmente.

Vacinas em desenvolvimento no mundo

Países como China, Índia, Rússia, Reino Unido e EUA desenvolveram vacinas próprias, de maneira autônoma. A Alemanha se associou ao laboratório americano Pfizer, enquanto a Suécia se associou às pesquisas britânicas. São países que asseguraram suprimentos para si mesmos, enquanto os demais esperam por uma chance.

Já o Brasil participou do desenvolvimento da Coronavac, numa parceria entre o Instituto Butantan e o laboratório chinês Sinovac, e da vacina de Oxford, produzida pelo consórcio anglo-sueco Astrazeneca, no entanto, enfrenta percalços tanto para conseguir acesso regular às vacinas quanto aos insumos para produzi-las em seu próprio território. 

Vacinas para todos!

Iniciativas para os países pobres

Existe um grupo formado atualmente por 180 nações reunidas em torno de um consórcio internacional chamado Covax, que pretende, junto à OMS, negociar em bloco o acesso aos imunizantes, melhorando as condições de negociação e de acesso para os países menos favorecidos.

Trata-se de uma iniciativa abrangente. A Covax aponta em várias direções, seja para o desenvolvimento de novos imunizantes até a expansão das redes de distribuição das vacinas já existentes. Mesmo países ricos, desenvolvedores de suas próprias vacinas, fazem parte do Covax, que promete uma “distribuição equitativa de 2 bilhões de doses até o fim de 2021”.

Fotos: Divulgação

REFERÊNCIAS

https://www.nexojornal.com.br/expresso/2021/01/22/A-desigualdade-entre-pa%C3%ADses-ricos-e-pobres-no-acesso-%C3%A0-vacina

https://exame.com/ciencia/covid-19-longe-do-fim-paises-pobres-podem-ficar-sem-vacinacao-em-massa-ate-2024/

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