Drag queens contam estórias em escolas dos Estados Unidos

Por SOMOS Educação

A sala está cheia. No centro de uma turma de crianças pequenas está a exuberante figura de uma drag queen contando estórias infantis saídas de um livro. A cena – no mínimo inusitada – criou uma enorme polêmica no Estados Unidos. Tudo começou em 2015, em São Francisco, quando foi criado o projeto “Drag Queen Story Hour” (DQSH), ou, em português, “Hora da Leitura Drag Queen.” De lá a iniciativa se espalhou pelos Estados Unidos e pelo mundo.

Desenvolvendo a empatia

Segundo o site oficial do projeto (www.dragqueenstoryhour.org), o DQSH “captura a imaginação e a fluidez de gênero característica da infância e transmite mensagens positivas e de autoafirmação, permitindo que as crianças imaginem um mundo onde cada um pode se vestir (e ser) como quiser, sem restrições de gênero.”

Pode-se imaginar, então, o alvoroço criado quando as drag queens alcançaram cidades mais conservadoras nos Estados Unidos, notadamente localidades rurais e religiosas da Carolina do Sul, Nebraska e Alabama, entre outros. Em muitas bibliotecas municipais, houve a necessidade de aparato policial para reforçar a segurança dos eventos de leitura. Enquanto do lado de dentro pais levavam seus filhos para as sessões, do lado de fora manifestantes pró e contra o projeto se atacavam mutuamente.

Liberdade de expressão

Os detratores do projeto acusam a organização de estimular uma “ideologia de gênero” que influenciaria as crianças em sua fase de crescimento. Os defensores, por outro lado, explicam que muitas crianças sofrem bullying na escola por serem diferentes, e que as mensagens positivas tentam mostrar que não somos todos iguais e que a diversidade é uma realidade.

“Eu soube desde cedo que eu era diferente. Se eu tivesse tido contato com isso mais cedo, talvez eu tivesse sido mais feliz no ensino médio e menos confusa, triste e ansiosa”, relata uma drag queen participante da leitura.

A favor ou contra o projeto – a julgar pelas fotos, as crianças que escutam as estórias não parecem se importar nem um pouco com a aparência colorida e “diferente” das contadoras de estórias drag queens.

Fotos: Drag Queen Story Hour/Divulgação
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