Entre pandemias: Gripe Espanhola e Covid-19

Por SOMOS Educação

A pandemia de gripe espanhola de 1918 matou de 50 a 100 milhões de pessoas até 1919. A pandemia de coronavírus, até então, entre o início de 2020 e fevereiro de 2021 já matou mais de 2 milhões.

Para além da situação de pandemia, existem alguns paralelos que podem ser estabelecidos entre aquele período e os dias atuais com a transmissão do coronavírus: duas doenças  com uma gama surpreendente de sintomas para os quais há pouco tratamento, o comportamento humano como um obstáculo à saúde pública e surtos que se espalharam.

Confira, acompanhando a leitura deste artigo, algumas curiosidades sobre a pandemia que assolou o mundo há pouco mais de um século – em comparação com a que vivemos hoje. 

Lentidão

No período em que os recursos e o conhecimento científico sobre os vírus influenza ainda eram escassos, em 1918 o governo brasileiro demorou para tomar as primeiras medidas e patinou até conseguir coordenar as ações e criar políticas efetivas contra a “espanhola”, como a doença era conhecida no período.

Pandemia de coronavírus mudou o mundo (Foto: Reprodução)

Os primeiros relatos de que uma doença nova começara a se espalhar pela Europa foram encarados com ceticismo e humor no Brasil. Veículos de imprensa fizeram piadas com a ameaça que ficava cada vez maior.

O trecho de um artigo publicado em A Careta é um exemplo disso:

“Em nossa opinião a misteriosa moléstia foi fabricada na Alemanha, carregada de virulência pelos sabichões teutônicos, engarrafada e depois distribuída pelos submarinos que se encarregam de espalhar as garrafas perto das costas dos países aliados, de maneira que, levadas pelas ondas para as praias, as garrafas apanhadas por gente inocente espalhem o terrível morbus por todo o universo, desta maneira obrigando os neutros a permanecerem neutros”.

A situação só foi encarada com mais seriedade quando uma missão de militares brasileiros, que partiu de navio para ajudar nos esforços de guerra, foi acometida pela  gripe espanhola  em setembro de 1918 ao aportar em Dakar, no Senegal.

Anticiência

Um ponto em comum entre as duas pandemias é a procura desenfreada por tratamentos milagrosos, que na prática não possuem validação científica. Em 1918, uma das maiores promessas contra a “espanhola” era o sal de quinino, um tratamento usado contra malária e dores nas articulações. Era vendido em algumas farmácias como um “santo remédio”, apesar da falta de evidências de sua eficácia contra a infecção.

Na década de 1930, o sal de quinino foi substituído no tratamento da malária por uma outra molécula: a cloroquina – a qual hoje foi defendida como uma possibilidade de tratamento contra a covid-19, mesmo sem evidências científicas. 

Classe social

Ambas as pandemias tiveram desenvolvimento parecido entre a população (Foto: Getty Images)

O desenvolvimento das pandemias de 1918 e 2020 é semelhante. “As duas chegaram ao país por meio dos ricos, que viajaram ao exterior, voltaram de navio ou avião e tinham condições de buscar algum tratamento. Mas quem morreu aos montes foi a população mais pobre, que vivia nos morros e nas periferias”, aponta a historiadora e antropóloga Lilia Schwarcz, professora da Universidade de São Paulo e da Universidade Princeton, nos Estados Unidos.

Fotos: Divulgação

REFERÊNCIAS

https://www.bbc.com/portuguese/brasil-56031995

https://www.cnnbrasil.com.br/saude/2020/09/26/o-que-a-pandemia-de-gripe-espanhola-de-1918-pode-nos-ensinar-sobre-a-covid-19

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