Estudo genético traz evidências sobre a origem do vírus SARS CoV-2

Por SOMOS Educação

Com a pandemia do novo coronavírus, a busca por informações a respeito do vírus SARS CoV-2 naturalmente foi grande. O que abriu espaço inclusive para controvérsias e fake news – foi dito até mesmo que o vírus foi manipulado ou fabricado em laboratório. No entanto, as pesquisas científicas de todos os cantos do mundo apresentaram evidências até mesmo na genética para explicar o vírus. 

Um estudo de pesquisadores dos Estados Unidos, Escócia e Austrália, descrito em carta publicada na revista Nature Medicine, trouxe evidências de que o SARS CoV-2 surgiu a partir dos processos naturais de evolução dos seres vivos. A pesquisa aponta mutações no genoma do vírus que o tornam mais infeccioso em seres humanos e que surgem aleatoriamente durante sua replicação. Essas mudanças são imperfeitas, o que torna improvável a hipótese de terem sido produzidas pelo homem.

Ao Jornal da USP, o professor Daniel Lahr, do Departamento de Zoologia do Instituto de Biociências (IB) da USP, comentou o artigo científico. Segundo ele, Os vírus têm genomas que não são muito grandes, então é possível sequenciá-los por inteiro de maneira bastante confiável, e estabelecer comparações entre as diversas sequências. 

covid e quarentena
Pandemia ampliou busca por informações

 “O vírus SARS CoV-2, causador da covid-19, tem um genoma com cerca de 30 mil bases, enquanto o genoma humano tem aproximadamente 3 bilhões de pares de bases e a bactéria Escherichia coli, cujo uso é muito comum em experimentos laboratoriais, tem de 4 a 5 milhões de pares de bases”, complementa o professor Lahr.  Bases são as unidades moleculares que formam o DNA.

Nesta publicação, destacamos os principais pontos analisados pelo professor da USP. Confira a seguir!

Fórmulas matemáticas

Para realizar as comparações, o professor conta ainda que há uma série de fórmulas matemáticas que determinam como as sequências do genoma estão relacionadas. “Todas as sequências são colocadas em uma grande matriz para comparar as mutações e substituições do genoma”, explica. “Como já existem dados genéticos sobre a evolução de uma grande quantidade de organismos, as árvores filogenéticas, há modelos teóricos que explicam como esses processos devem ocorrer e permitem fazer uma série de predições sobre o que aconteceu durante a história evolutiva do vírus.”

Os pesquisadores, ao analisarem as variações de todo o genoma do vírus, conseguiram determinar que o SARS CoV-2 é muito proximamente relacionado com um vírus já descrito em morcegos, o RATG13. 

Ciência analisa o novo coronavírus

“Isso significa que eles possuem um hipotético ancestral comum”, destaca, “porém a observação de partes específicas do genoma indica semelhanças que, na comparação com outros vírus, dão a oportunidade de explicar eventos de evolução e identificar as mutações mais importantes para infeccionar seres humanos”.

Mutações aleatórias

Na análise do professor, ele revela também que as mutações acontecem de forma aleatória, durante a replicação dos vírus no interior das células. 

“Embora a taxa de erro seja muito pequena, são replicados milhares de genomas virais ao mesmo tempo, ao longo de vários dias, dando origem a modificações aleatórias. A maioria dessas mudanças são inviáveis para o vírus, mas uma pequena parte delas irá ser potencialmente adaptativa, fazendo com que o vírus consiga infectar um novo hospedeiro e amplie sua área de atuação.”

Sabendo que os genomas acumulam mutações, os cientistas conseguiram encontrar evidências de mudanças que não deram certo e outras que podem ter ajudado a infectar os seres humanos de forma mais eficiente. “Todos esses indícios permitiram deduzir que o padrão geral de mutações do SARS CoV-2 corresponde aos modelos evolutivos existentes”, afirma o professor. 

“Assim, os pesquisadores apontam duas hipóteses para a ocorrência dessas mutações: uma, que teriam acontecido ainda no reservatório animal do vírus, que ainda não é conhecido, e outra, que a diversificação teria acontecido após a invasão nos seres humanos.”

REFERÊNCIA

https://jornal.usp.br/ciencias/estudo-genetico-mostra-por-que-virus-da-covid-19-nao-foi-feito-em-laboratorio/

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