Histórias infantis no centro de um debate

Por SOMOS Educação

No que depender do colégio Tàber, ligado à prefeitura da cidade de Barcelona, na Espanha, diversos clássicos infantis serão relegados ao esquecimento. Explica-se: a escola decidiu retirar de sua biblioteca cerca de 200 livros voltados a estudantes de até seis anos de idade. Com a medida, cerca de 30% do acervo será afetado.

Polêmica à vista

A notícia foi repercutida pela imprensa espanhola no final de abril. A justificativa para a medida, considerada radical por muitas pessoas, é a de que os livros em questão foram considerados tóxicos por reproduzirem padrões sexistas ou de comportamento preconceituoso. Entre os afetados estão clássicos da literatura infantil como A Bela Adormecida e Chapeuzinho Vermelho.

Histórias infantis no centro de um debate
Histórias infantis no centro de um debate

O jornal espanhol El País conta que uma comissão de pais esteve envolvida na iniciativa. Para eles, os tempos estão mudando e algumas histórias clássicas não correspondem à realidade de uma sociedade que não aceita mais preconceitos de gênero, por exemplo. Desta forma, foram banidos livros onde as meninas são apresentadas apenas como heroínas frágeis, enquanto aos meninos são reservados os papéis de valentia e maior protagonismo nas histórias.

Dando o exemplo

Já falamos sobre algo similar por aqui. Nas modernas estórias para crianças, cada vez mais se observa personagens femininas repletas de opinião: menos princesas indefesas em busca de um príncipe encantado; mais adolescentes com atitude e personalidade.

diversos clássicos infantis serão relegados ao esquecimento
Diversos clássicos infantis serão relegados ao esquecimento

Leia mais sobre o assunto: Subvertendo as estórias infantis

Há os que defendem a medida – acreditando que as histórias devem evoluir conforme evolui também a sociedade e os costumes – e há os que criticam a censura a determinados livros. Para estes últimos, ao invés de simplesmente excluir as histórias da grade curricular, deveríamos aproveitar a oportunidade para discutir com as crianças assuntos contraditórios e mostrar diversas opiniões diferentes sobre um mesmo tema.

Alunos da Escola Tàber, em Barcelona
Alunos do Colégio Tàber, em Barcelona

No Brasil temos uma discussão semelhante que se arrasta há muitos anos. Sob a ótica atual, a obra de Monteiro Lobato tem sido acusada de perpetuar o racismo estrutural no País. Para os defensores do maior escritor brasileiro de livros infantis, suas histórias precisam ser contextualizadas na época em que foram escritas, quase setenta anos atrás. Há quem defenda sua exclusão, e há que diga que elas podem ser transmitidas para as crianças – desde que estas questões de preconceito racial sejam igualmente trabalhadas em sala de aula.

Com a palavra, os educadores.

Fotos: Escola Tàber/Reprodução
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