Imigrante haitiana cega é aprovada na OAB

Por SOMOS Educação

A história de Nadine Taleis inspiradora. Haitiana, imigrante e cega, ela se formou em Direito e foi aprovada no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), podendo exercer legalmente a profissão em território nacional.

Nadine deixou o Haiti em 2010, após o terremoto que devastou o país. Tomou a República Dominicana como destino e chegou ao Brasil em 2013, ficando em um abrigo improvisado para refugiados e imigrantes na cidade de Brasileia, no Acre, na fronteira com a Bolívia. Lá, aguardava a documentação para poder viajar para outros estados ou ser recrutada para trabalhar.

A haitiana, no entanto, era rejeitada em todas as seleções de emprego. O sonho dela era trabalhar como massagista, profissão aprendida na República Dominicana. A vida de Nadine começou a mudar quando um funcionário do abrigo lhe colocou em contato com parentes dele que viviam no Distrito Federal.

Com a documentação regularizada, ela aceitou a sugestão do funcionário do abrigo e partiu para o Distrito Federal. Foi adotada pelo casal Carlos e Loide Wanderley, a quem passou a chamar de pai e mãe. Seus pais biológicos faleceram no Haiti, quando ela ainda era criança.

A aprovação na OAB

O caminho de Nadine até a aprovação na OAB não foi fácil. Ela usava o dinheiro que sua mãe brasileira fornecia para alimentação e moradia – ela alugava um pequeno apartamento – para pagar a mensalidade do curso de Direito da Faculdade Mauá, na cidade-satélite de Vicente Pires.

Nadine ficou dias sem se alimentar para conseguir economizar e pagar os estudos. Ela assistia às aulas sem que os pais adotivos soubessem, porque não queria que eles se sentissem pressionados a ajudá-la. A situação mudou quando a direção da faculdade ofereceu a ela uma bolsa integral e um estágio na própria instituição. Foi depois disso que a então estudante contou aos pais que estava cursando Direito.

Com apenas 15% da visão, Nadine gravava todas as aulas e estudava com a ajuda de um programa de computador que lia os livros para ela. Nas provas, dependia do auxílio dos colegas para ler as questões. Mesmo com as dificuldades, foi aprovada em todas as disciplinas e ainda no exame da OAB, que teve 77,3% dos candidatos reprovados.

Registrada na OAB, Nadine está autorizada a exercer o ofício de advogada no Brasil. Agora, seus próximos objetivos são trabalhar em um escritório de direito tributário e obter a cidadania brasileira. No futuro, a haitiana deseja prestar o concurso para a Advocacia-Geral da União (AGU), ganhar ainda mais experiência na área e realizar o grande sonho de sua vida: tornar-se juíza.

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Fotos: Divulgação/OAB-DF
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