Confronto e morte nos EUA durante marcha de supremacistas

Por SOMOS Educação

Charlottesville, uma pequena cidade universitária de 47 mil habitantes, localizada no Estado de Virgínia (EUA), vivenciou um triste acontecimento e que foi noticiado por toda a imprensa mundial. No último dia 12 de agosto, uma mulher de 32 anos morreu atropelada durante o que foi chamada a maior manifestação de supremacistas brancos do passado recente dos Estados Unidos, ocorrida simultaneamente com um protesto antirracismo. A violência fez com que o governador Terry McAuliffe declarasse emergência no município.

A vítima fatal foi atropelada por um carro dirigido por um jovem de 20 anos, que acelerou contra as manifestantes antirracismo. Outras 19 pessoas foram feridas no atropelamento. O confronto entre os dois grupos manifestantes deixou ainda mais 35 feridos.

O motivo do protesto

A manifestação havia sido convocada por grupos supremacistas brancos, neonazistas e membros de outros grupos de extrema-direita contrários à decisão de retirada de uma estátua do general Robert E. Lee (1807-70) de um parque da cidade. A decisão segue a de outras cidades do Sul, por retirar de prédios e parques públicos símbolos confederados que remetem ao passado escravocrata do país.

A estátua de Robert E. Lee em Charlottesville, Virgínia. Foto: Shutterstock.

Robert E.Lee havia comandado as tropas confederadas na Guerra Civil dos EUA entre os anos de 1861 e 1865, quando estados do Sul lutaram para se separar do Norte abolicionista, com o objetivo de manterem seus escravos.

O confronto

Foi justamente nos arredores da imagem do general Robert E. Lee, onde também se localiza a estátua do presidente Thomas Jefferson (1743 – 1826), que manifestantes antirracismo decidiram se reunir na mesma data e horário, com o propósito de realizar um contraprotesto. O confronto aconteceu quando os grupos se encontraram e só teve fim com a intervenção da polícia.

Na noite que antecedeu o triste e preocupante confronto, os supremacistas já haviam marchado pelas ruas da cidade com palavras de ordem contra homossexuais, negros, imigrantes e judeus, alegando que o avanço dos direitos civis para minorias levará à sua extinção.

Atos de terrorismo

Os conflitos entre os supremacistas brancos e os manifestantes contra o fascismo em Charlottesville foram definidos como atos de terrorismo pelo conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, H.R. McMaster.

“Cada vez mais se cometem ataques contra as pessoas para incitar o medo, o terrorismo”, disse Mc Master. “Condenamos, nos termos mais firmes possíveis, essa exibição atroz de ódio, fanatismo e violência procedente de vários lados. O ódio e a divisão devem parar agora. Temos que nos unir como norte-americanos, com amor à nossa nação”, destacou o conselheiro.

Criticado pela demora em se pronunciar, o presidente norte-americano Donald Trump causou ainda mais insatisfação, principalmente de membros do Partido Republicano, ao se pronunciar somente três dias após o ocorrido e ainda afirmar que a culpa pelos confrontos em Virgínia foi de ambos os lados. “Havia um grupo de um lado que era agressivo e outro grupo do outro lado que também era muito violento, mas que ninguém quer dizer”, declarou o presidente.

Vale lembrar que na campanha presidencial de 2016, Donald Trump atraiu um grande número de seguidores e de votos entre os supremacistas brancos. Também expressou simpatia aos sulistas brancos que lutavam para manter preservados os monumentos que homenageiam os confederados.

Fotos: Ryan M. Kelly/AP
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