O que a Estônia tem a nos ensinar sobre educação?

Por SOMOS Educação

Na edição mais recente do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês), avaliação trienal realizada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a Estônia ficou em terceiro lugar, atrás apenas de Cingapura e Japão. Isso significa que, no pequeno país banhado pelo mar Báltico, encontra-se a melhor educação da Europa.

O sucesso da Estônia é explicado por diferentes fatores. Lá, a educação é valorizada pela sociedade, o acesso é universal e gratuito e as escolas e os professores têm ampla autonomia. Além disso, o governo estoniano fornece refeições gratuitas na escola, materiais didáticos, serviços de aconselhamento, bem como subsídios em transporte e, a partir do ensino secundário, acomodação para os estudantes.

Investimento pesado em educação

Estabelecida como nação independente há apenas 27 anos, com o fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), a Estônia investe pesado em educação. Atualmente, o governo destina 6% do Produto Interno Bruto (PIB) para o ensino. Apesar de a porcentagem ser a mesma investida pelo Brasil, a diferença está nos valores propriamente ditos.

Aqui, de acordo com dados da OCDE de 2017, o PIB per capita é de R$ 31 mil. Na Estônia, é de R$ 110 mil. Enquanto o governo brasileiro investe, no ensino básico, R$ 6,6 mil por aluno ao ano, o governo estoniano aplica o equivalente a R$ 28 mil.

Outro aspecto que chama a atenção na política educacional da Estônia é a valorização dos professores. Lá, o salário dos docentes aumentou 80% nos últimos dez anos. Hoje, os professores ganham cerca de R$ 4,9 mil por mês. No ano que vem, já está previsto um aumento que elevará os ganhos para aproximadamente R$ 5,3 mil mensais.

Liberdade em sala de aula

Assim como no Brasil, o Ministério da Educação estoniano estabelece diretrizes que devem ser seguidas no ensino. No entanto, no país europeu, as escolas e os professores têm liberdade e autonomia para definir as metodologias e até mesmo os ambientes de sala de aula.

Na Estônia, as matérias são ensinadas em conjunto, sem divisão entre as disciplinas. Há uma grande atenção para o desenvolvimento de competências como “aprender a aprender”, ética, empreendedorismo e educação digital. Todos os professores precisam ter mestrado em suas áreas de atuação.

Durante o período escolar, os alunos aprendem língua e literatura estonianas, duas línguas estrangeiras, matemática, biologia, geografia, física, química, ciências humanas, história, civismo, música, arte, artesanato, tecnologia e educação física. Também são comuns aulas de história das religiões, design e economia.

Lições para o Brasil

Copiar o modelo educacional estoniano não é garantia de sucesso imediato para o Brasil. É preciso levar em conta as diferenças entre os países, especialmente com relação ao tamanho da população e do território, assim como costumes e hábito culturais. Entretanto, a Estônia fornece alguns bons exemplos.

Além do investimento pesado em educação, da política de valorização dos professores e da liberdade promovida em sala de aula, a nação europeia incentiva aulas de esporte, música, artes e oficinas de tecnologias no contraturno escolar, isto é, no período do dia em que os estudantes não têm aula.

No sistema educacional estoniano, alunos com bom e mau desempenho não são separados em classes diferentes. Pelo contrário, convivem juntos e aqueles com mais dificuldade recebem ajuda de professores particulares, psicólogos e psicopedagogos.

Acesse https://www.rededeexperiencias.com.br/atualiza e fique por dentro de outras dicas e notícias da atualidade.

Foto: Depositphotos

 

Compartilhe nas suas redes

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *