Relações humanas e as regras: o que é mais importante?

Por O Líder em Mim

Sem relacionamentos não é possível aprender. Na sala de aula, as regras importam, mas depois de alguns anos ensinando aprendemos que as relações importam muito mais. Uma forma de aprofundar nosso relacionamento com nossos alunos é compartilhar com eles um pouco sobre nós mesmos, e criar oportunidades para que eles compartilhem um pouco deles mesmos conosco e com os colegas.

Claro que as regras e rotinas são importantes para que os alunos saibam o que está acontecendo no dia a dia escolar. Nós aprendemos desde cedo em nossas carreiras docentes, que ser firme e objetivo a respeito das expectativas para a sala de aula faz toda a diferença sobre o tipo de ano letivo que esperamos ter e que teremos, de fato.

Após compartilhar algumas regras, que tal falar sobre você para os alunos? Você pode compartilhar detalhes da sua família, onde você estudou, o que fazia antes de ensinar, e se for possível, adicionar detalhes mais pessoais da sua vida na conversa com os alunos, por exemplo:

  • Quais os desafios que enfrentou enquanto estava crescendo? E como estudante, quais foram seus principais obstáculos?
  • O que você gosta de fazer?
  • Se você pudesse mudar algo no mundo, o que seria?
  • Se soubesse que algo daria certo, que tipo de riscos você enfrentaria na sua vida?

E o que você acha de mostrar aos alunos alguns objetos que sejam importantes para você? Você pode compartilhar trechos dos seus livros favoritos ao longo do tempo. Qual era seu livro favorito aos 12 anos? E aos 16 e depois aos 20 anos? Faça cópias de trechos desses livros e distribua aos alunos, depois façam uma leitura juntos.

E por que compartilhar sua vida pessoal com os alunos? Demonstrar nossa humanidade em sala de aula nos permite ser pessoas e não apenas o(a) professor(a). A partir de observações e experiências, percebemos que para sermos amados por aqueles que ensinamos, precisamos mostrar vulnerabilidade e às vezes revelarmos quem nós somos, nossos sentimentos, desafios, esperanças, preocupações e sonhos. Com frequência, pedimos que os alunos escrevam redações, poemas e ensaios nos quais eles expressam aspectos vulneráveis de si mesmos. Como professores, membros da sala de aula, por que não deveríamos fazer o mesmo?

Aprender com os outros

Uma vez que você tenha compartilhado aspectos sobre quem você é, convide os alunos a fazerem o mesmo. Você já demostrou alguma vulnerabilidade e abertura com eles, então eles percebem que isto é importante e que vocês não são uma apenas classe de alunos e professor, mas de pessoas.

Seguem algumas atividades para que os alunos se conheçam entre si e construam bons relacionamentos:

Coisas boas: Peça que os alunos se reúnam em duplas e compartilhem um com o outro uma coisa boa que aconteceu com eles ou algo que eles gostariam que acontecessem. Não precisa ser nada extraordinário, ao contrário, situações simples e cotidianas são ótimos exemplos. Comece o dia de aula compartilhando as “Coisas Boas” e assim que os alunos estiverem mais confortáveis com a prática, expanda os grupos para quatro ou cinco pessoas para construir vínculos e conexão entre eles, você também pode compartilhar coisas boas que te aconteceram durante o dia.

Crie a mochila “tudo sobre mim”

Faça uma mochila de papelão, cartolina ou plástico para cada aluno. Peça que eles decorem com palavras ou imagens de coisas que eles gostam ou aspectos que os outros notam facilmente sobre eles. Depois, eles podem colocar na mochila diversos objetos que representem ou simbolizem coisas não tão fáceis de saber sobre eles, por exemplo, um brinquedo que pertença ao bicho de estimação e outras coisas. Faça uma mochila para você também e modele a atividade com os alunos compartilhando seus próprios objetos e contando um pouco sobre cada um deles. Dê tempo para a classe compartilhar suas mochilas em duplas ou pequenos grupos.

“Assim como eu”

 Outra estratégia é uma atividade que permite com que os alunos vejam com quem compartilham coisas e gostos em comum. Você diz uma sentença para a classe e os alunos que concordarem ficam de pé. Por exemplo, “Minha comida favorita é pizza” ou “eu sou o membro mais novo da minha família”, entre outros. Depois de dizer a sentença, peça que os alunos observem ao redor para perceber com quem eles compartilham gostos ou características em comum antes de se sentarem novamente. Você pode fazer essa atividade várias vezes por semana ou esporadicamente, com novas sentenças que abordem cada vez mais gostos e características.

Compartilhar objetos

 Assim como você pode levar para a sala de aula alguns dos seus livros favoritos da infância e adolescência, convide os alunos a levar objetos que eles também gostem para a escola – livros, fotos, troféus, brinquedos – e conversar com os colegas em pares ou pequenos grupos sobre seus objetos favoritos e o que eles representam.

Relacionamentos significativos são fundamentais para aprender. As regras são importantes para a manutenção da disciplina na classe, porém, mais importante do que enfatizar seu controle sobre os alunos, é desenvolver um senso de comunidade e conexão entre todos, isso que fará a diferença na sala de aula.

Matéria original aqui.

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