Após 130 anos da abolição, desigualdade ainda é grande no país

Por SOMOS Educação

No último dia 13 de maio foi celebrado 130 anos da abolição da escravatura no Brasil. Até o momento em que a Lei Áurea, assinada pela princesa Isabel, estabeleceu o fim da escravidão no país, em 1888, foram mais de três séculos de trabalhos forçados aos negros e de total desigualdade

Último país independente do continente americano a abolir por completo a escravatura, a liberdade no Brasil veio somente após alguns acontecimentos. Em 1860, os impérios Português e Francês, além dos Estados Unidos, deram fim ao período de escravidão. Essa mudança motivou o início das campanhas abolicionistas no país, que ganharam ainda mais peso depois da Guerra do Paraguai. Para que pudessem participar das batalhas, muitos escravos foram emancipados e esse cenário fez com que o período de escravidão ficasse com seus dias contados.

A partir daí, a ideia de liberdade evoluiu. Em 1871, a Lei do Ventre Livre foi sancionada, determinando que os filhos das mulheres escravas que nascessem a partir dessa data já estariam livres. Em 1885, com a proclamação da Lei dos Sexagenários, todos os escravos com mais de 60 anos foram libertados, mediante indenização dos proprietários. O último grande passo foi dado pela princesa Isabel, então no poder, quando aboliu definitivamente a escravidão no país.

Apesar de todo o avanço marcado pela história, passados 130 anos da abolição, o que se vê ainda é uma grande desigualdade no país. Essa desigualdade permanece porque a abolição não veio acompanhada por planos de integração dos escravizados à sociedade. Isso, tanto em âmbito cultural, quanto nos âmbitos econômico e político. Não houve benevolência na abolição e por essa razão as consequências foram históricas.

Toda essa diferença é observada com os dados do Ministério do Trabalho e Emprego. Eles revelam que enquanto negros ocupam vagas sem qualificação, os brancos predominam na outra ponta.

De acordo com a Relação de Informações Sociais (RAIS) 2016, entre os empregos que possuem maior quantidade de brancos estão o de engenheiro de equipamentos em computação (92%); engenheiro mecânico automotivo (90%); professor de medicina (89%); e piloto de aeronaves (87,7%). Já entre os empregos que possuem maior quantidade de negros estão aqueles que exigem menor qualificação e maior força braçal, como operador de telemarketing (74%); cortador de cana-de-açúcar (74,5%); e agente de higiene e segurança (77,2%).

Outros dois índices ligados ao mercado de trabalho e que mostram o abismo ainda existente entre raças no Brasil são o número de profissionais com carteira de trabalho e o valor médio de salário. Enquanto para brancos a taxa de trabalhadores sem carteira assinada é de 14,7%, para negros a taxa é de 21,8%. No que diz respeito à média salarial, a diferença é de quase 100%. Para brancos, o salário médio é de R$ 2.700. Já para negros o valor é de R$ 1.500.

Para muitos especialistas, essas informações de mercado de trabalho comprovam que a desigualdade estabelecida na época da escravidão ainda persiste, 130 anos após a Lei Áurea passar a valer.

O país ainda tem um longo caminho a percorrer para alcançar, verdadeiramente, a igualdade entre as pessoas, independentemente de raça ou de qualquer outra diferença que possam ter. A educação e a cultura de paz são os instrumentos mais eficazes para o sucesso nesse complexo processo de mudança e de evolução humana. É preciso fazer mais uso dessas ferramentas.

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Foto: Depositphotos
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