Protestos na Colômbia denunciam violência policial

Por SOMOS Educação

Neste mesmo ano em que o americano George Floyd morreu sufocado por um policial nos EUA, o advogado Javier Ordóñez, 45 anos, levou sucessivos choques elétricos quando estava sob custódia policial. Dessa vez, em Bogotá, na Colômbia. Ele sofreu nove fraturas no crânio antes de morrer, pouco depois, em um hospital.

Logo que o caso Ordóñez foi noticiado, a indignação da população local se voltou contra a polícia. O estopim foi quando viralizou um vídeo mostrando que teria havido abuso e tortura por parte dos policiais. A população jovem, em especial, se organizou para ir às ruas em protestos que se tornaram os mais violentos da Colômbia dos últimos anos.

Ordem de prisão

Segundo relatos de testemunhas à imprensa local, o advogado colombiano, pai de dois filhos que trabalhava como taxista, teria resistido a uma ordem de prisão  A polícia afirma que Ordóñez estava bebendo na rua com amigos, violando as regras de distanciamento social impostas para combater o coronavírus. 

Policiais colombianos(Photo by LUIS ROBAYO/AFP via Getty Images)

Entretanto, no vídeo, que viralizou, é possível ouvir Ordóñez, já imobilizado, dizendo “por favor, parem” e “agente, eu lhe suplico”. Logo, começam gritos de “assassinos”, e pedras são atiradas contra os policiais.

Protestos

A morte do advogado causou uma série de protestos na cidade, reprimidos pela polícia inclusive com armas de fogo – algo inédito nas últimas décadas. Pelo menos 13 pessoas morreram nos enfrentamentos.

De acordo com relatos de familiares, entre os mortos estão pessoas que não participavam dos protestos, mas que foram atingidas por balas perdidas. Entre elas uma jovem de 17 anos que tinha ido comprar refrigerante com uma amiga e cruzou a zona dos protestos por acaso.

Ônibus foram destruídos, comércios foram saqueados e delegacias, incendiadas. 

Protestos na Colômbia (Photo by STR/AFP via Getty Images)

A violência dos protestos, tanto da parte da população quanto da repressão das autoridades, superaram até a dos protestos de 2019, que ficaram conhecidos como Paro Nacional, em que morreram quatro pessoas.

Os protestos se concentram principalmente na região metropolitana da capital colombiana, Bogotá.  No entanto, atos acontecem também em outras cidades do país, como Medellín, Cucuta e Cali. 

Nota das autoridades

O ministro da Defesa, Carlos Holmes Trujillo, pediu perdão público, em nome da polícia, pela morte de Ordóñez. “A polícia da Colômbia pede perdão por qualquer violação da lei, ou desconhecimento das normas por parte de qualquer um dos membros da instituição”, disse ele.

A polícia e o governo do presidente Ivan Duque também anunciaram reformas para evitar abusos, pediram desculpas pelo caso Ordóñez e disseram que graças à política de “tolerância zero” em vigor há atualmente 1.924 processos disciplinares abertos e foram aplicadas sanções a 276 funcionários por abuso de força nos últimos 18 meses.

A respeito do uso de armas de fogo em manifestações contra civis, as autoridades afirmam que vão investigar e reiteram o rechaço à violência.

Rua de Bogotá, na Colômbia

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REFERÊNCIAS

https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2020/09/11/protestos-na-colombia-somam-13-mortos-e-403-feridos-governo-pede-desculpas.htm

https://www.otempo.com.br/mundo/protestos-na-colombia-entenda-a-onda-de-ataques-que-ja-deixou-13-mortos-1.2384193

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2020/09/12/por-que-a-morte-de-um-advogado-gerou-onda-de-violencia-inedita-na-colombia.ghtml

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