Uma revolução que abalou o mundo

Por SOMOS Educação

Em novembro de 1917 a primeira revolução comunista vitoriosa do mundo eclodiu na Rússia, um país economicamente atrasado, com cerca de 85% da população vivendo no campo. Os bolcheviques (comunistas), líderes da insurreição, eram seguidores de Karl Marx (1818-1883), que havia previsto que as contradições do capitalismo provocariam revoluções de trabalhadores nos países desenvolvidos, como a Inglaterra. Mas os bolcheviques acreditavam que, em razão da guerra mundial, a revolução proletária poderia ocorrer primeiramente na Rússia, o “elo mais débil” do capitalismo, espalhando-se depois pelos países “avançados”.

De fato, a Rússia sofreu mais do que qualquer outro país as consequências desastrosas da Primeira Guerra Mundial, com quase cinco milhões de mortos. Em março (fevereiro pelo calendário juliano então adotado pela Rússia) uma insurreição popular derrubou a autocracia czarista. O governo provisório, composto de liberais, prometeu uma Constituinte, mas manteve o país na guerra (a Rússia era aliada da Inglaterra e da França contra a Alemanha e a Áustria-Hungria). Ao mesmo tempo, operários, camponeses e soldados organizaram-se em conselhos (“sovietes”), criando uma espécie de “duplo poder” entre estes e a Duma (Parlamento).

Cem anos de revolução

Divisão das correntes socialistas

As correntes socialistas se dividiram; os moderados (mencheviques) e socialistas revolucionários (SRs) apoiaram o governo provisório, mas os bolcheviques – principalmente o líder Vladimir Lênin – defendiam sua derrubada por uma aliança entre operários industriais e camponeses e a entrega do poder aos sovietes. Em 7 de novembro (25 de outubro no antigo calendário), uma insurreição liderada pelos bolcheviques em Petrogrado (atual São Petersburgo) e Moscou tomou o poder. Os principais líderes da revolução foram Lênin e Leon Trotsky.

Monumento ao líder Vladimir Lênin

Os primeiros decretos do governo revolucionário determinaram o confisco das grandes propriedades dos aristocratas e da Igreja Ortodoxa para fins de reforma agrária; o estabelecimento do controle operário sobre as fábricas e a retirada unilateral do país da guerra. Os bolcheviques também defenderam a autonomia nacional para os países do Império Russo.

Nas eleições da Constituinte, os partidos socialistas conquistaram ampla maioria, mas os bolcheviques ficaram só com 25% das cadeiras e, em janeiro de 1918, fecharam a Assembleia. Em março a Rússia assinou com as potências centrais o Tratado de Brest-Litovsky, retirando o país da guerra da guerra e abrindo mão do controle da Finlândia, países bálticos, Polônia, Bielorrússia e Ucrânia.

A radicalização e o isolamento dos bolcheviques mergulharam o país em uma guerra civil, na qual defensores do antigo regime receberam apoio de potências capitalistas. Para enfrentar a revolta, os comunistas monopolizaram o poder impondo uma ditadura de partido único e criando a Tcheka (polícia política) e o Exército Vermelho, chefiado por Trotsky.

Capítulos finais

O regime venceu seus inimigos, mas o país ficou exaurido. Em 1921, depois de uma tentativa de estatização total durante a guerra civil (“comunismo de guerra”), os bolcheviques promoveram uma abertura econômica (a NEP, Nova Política Econômica), permitindo que os camponeses comercializassem seus excedentes. Mas os comunistas esperavam que tal situação fosse transitória, pois a “crise do capitalismo” não terminara com o fim da guerra mundial e logo traria a revolução proletária aos países avançados (Alemanha, França, Inglaterra).

Mas a revolução faltou ao encontro. Lênin morreu em 1924. Em razão da estabilidade do capitalismo, Trotsky defendia uma “revolução permanente” e Josef Stálin, o “socialismo em um só país”. Stálin venceu Trotsky, consolidou a ditadura, coletivizou a agricultura e industrializou o país a ferro e fogo, transformando a Rússia em uma potência econômica e militar, ao custo de milhões de mortos. A União Soviética venceu o nazismo, espraiou-se pelo Leste Europeu e, no pós-guerra, dividiu com os Estados Unidos a hegemonia mundial. E o temor de novas revoluções comunistas levou o Ocidente a criar Estados de bem-estar social (“welfare states”) em vários países. O comunismo soviético só entraria em colapso em 1991, quando Mikhail Gorbatchev tentou reformá-lo.

Foto: Shutterstock
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