Vacina contra HIV chega à fase 3 e busca voluntários pelo mundo

Por SOMOS Educação

Vivemos um importante momento para o avanço da ciência na história da humanidade. Com a pandemia de coronavírus, vacinas foram desenvolvidas com uma velocidade nunca antes vista. Em paralelo a isso, outro imunizante de grande relevância chega na fase 3 dos estudos, a última etapa antes da aprovação de uma vacina, quando o experimento passa a ser realizado em humanos: a vacina para prevenir o HIV,  causador da AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida).

Trata-se, portanto, da primeira vez que o desenvolvimento de uma vacina contra o HIV alcança esse estágio. Agora, a equipe internacional está recrutando voluntários em todo o mundo, inclusive no Brasil.

Estudo internacional

Chamado de Mosaico, o estudo ocorre simultaneamente em países como Itália, Argentina, México, Polônia, Espanha, Peru e EUA, e agora reúne aproximadamente 3,8 mil voluntários. O vetor do estudo é o Adenovírus 26, um vírus inofensivo aos seres humanos mas que induz o corpo a produzir os anticorpos necessários para deter a disseminação do vírus. Ao todo, a nova vacina será aplicada em quatro doses e, segundo especialistas, a novidade é a mais promissora já vista ao longo dos mais de 40 anos de pandemia do HIV

 No Brasil, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) realiza estudos e testes com um imunizante.  “A pesquisa está na fase 3 de testes, ou seja, de eficácia, já passando por definições de dose e de segurança. Estamos felizes de ver uma vacina progredindo para a fase 3 depois de três décadas de pandemia. São 38 milhões de pessoas vivendo com HIV no mundo, segundo estimativas da ONU, e 33 milhões de mortes”, explicou Jorge Andrade Pinto, professor de medicina da UFMG.

Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

Complexidade

Diante das variações genéticas complexas do HIV,  esse processo será mais longo do que os das vacinas contra o coronavírus, com três primeiras doses aplicadas a cada três meses, e uma última dose aplicada seis meses depois – ao todo, no entanto, os voluntários serão monitorados por três anos.

A vacina, no entanto, não apresenta perigo à saúde porque não utiliza o vírus vivo, mas sim uma proteína produzida em laboratório que simula uma parte externa do vírus. 

Fazem parte da frente internacional do Mosaico a Rede de Ensaios de Vacinas contra o HIV (HVTN), Janssen Vaccines & Prevention B.V., parte das Empresas Farmacêuticas Janssen da Johnson & Johnson, o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA  e o Comando de Pesquisa e Desenvolvimento Médico do Exército dos EUA.

De acordo com Jorge Pinto, da UFMG, a vacina é para pessoas não infectadas e que têm uma exposição aumentada ao risco de infecção. A pesquisa envolve homens cisgênero ou pessoas trans que fazem sexo com homens cisgênero e/ou pessoas trans.

Fotos: Divulgação

REFERÊNCIAS

https://www.cnnbrasil.com.br/saude/2021/02/04/ufmg-avanca-em-testes-da-fase-3-de-vacina-contra-hiv

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