Vulcões podem explicar fosfina em Vênus?

Por SOMOS Educação

Em 1967, o famoso cientista Carl Sagan propôs a possibilidade de ocorrência de vida no planeta Vênus. Mais de 50 anos depois, uma equipe internacional de pesquisadores liderada pela professora Jane Greaves, da Universidade de Cardiff, anunciou a descoberta de fosfina nas nuvens de Vênus. Trata-se de uma substância rara, que é encontrada em nosso planeta na atividade industrial ou por processos realizados por microrganismos. O estudo foi publicado na revista Nature.

Dr. Carl Sagan

A descoberta da fosfina na atmosfera de Vênus despertou grande interesse no mundo científico. Porém, as conclusões concretas sobre isso devem demorar, pois demandam mais pesquisas e estudos para confirmar o que foi descoberto. 

Alguns cientistas, no entanto,  já têm novas hipóteses sobre as quais trabalhar.

Fosfina e vulcões?

Uma das hipóteses sobre a origem da fosfina em Vênus é de uma dupla de cientistas que propõe que o gás tem origem química, e não biológica. O problema com essa ideia é que, para formar fosfina em processos abióticos, seria necessária uma grande quantidade de energia, ou algum outro mecanismo que ainda não conhecemos. Mas qual? Segundo os autores do artigo, a resposta está nos vulcões.

No artigo, os cientistas escreveram o seguinte: “vestígios de fosfetos formados no manto [de Vênus] seriam trazidos à superfície por vulcanismo e, posteriormente, ejetados para a atmosfera, onde poderiam reagir com água ou ácido sulfúrico para formar fosfina”. Para testar essa hipótese, eles realizaram um cálculo: o primeiro passo foi saber o volume de fosfina presente na atmosfera de Vênus.

O planeta Vênus

Os cientistas que descobriram a fosfina em Vênus afirmaram que a proporção é de vinte moléculas para cada bilhão em uma camada atmosférica de 8 km de espessura, entre 53 e 61 km de altitude. Então, a dupla de pesquisadores calculou que há 27 bilhões de kg do gás na atmosfera superior de Vênus.

Um fator importante também é a fragilidade da fosfina, que é destruída muito facilmente. De acordo com o novo artigo,  na camada de 53-61 km, a fosfina pode ser estável até cerca de um ano. Isso significa que Vênus precisaria produzir a mesma quantidade de fosfetos para criar 27 bilhões de kg de fosfina por ano. “Com base nessa suposição, os vulcões precisariam produzir ~ 2.7 x 1010 kg de fosfeto a cada ano para bombear continuamente para a atmosfera intermediária, e então reagir com as gotículas de ácido sulfúrico para produzir a fosfina observada”. 

Desse modo, a dupla de cientistas concluiu que os vulcões venusianos precisam produzir anualmente 93 kg cúbicos de lava para criar fosforetos suficientes. 

Afinal,  existe vida em vênus?

De todo modo, por mais que possam existir diferentes hipóteses, nenhum cientista sério, neste momento, pode bater o martelo na questão afirmando que o elemento comprova vida alienígena em Vênus.

Fotos: Unsplash e Divulgação

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REFERÊNCIAS

https://canaltech.com.br/espaco/vida-em-venus-pesquisadores-encontram-bioassinatura-na-atmosfera-do-planeta-171494/

https://canaltech.com.br/espaco/vulcoes-em-venus-podem-explicar-origem-da-fosfina-cientistas-acreditam-que-sim-172488/

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