Ame mais, julgue menos!

Por SOMOS Educação

O projeto em questão, oriundo da Escola Santa Mônica, em Limoeiro, Pernambuco, foi pensado e realizado a partir das reuniões da Liga de História, formado por um grupo de alunos que se identificam com a disciplina. A Liga é formada anualmente com alunos do 8º e 9º ano para participação da escola na Olimpíada Nacional em História do Brasil. Em um destes debates, ocorrido em maio, e tendo em mente o Dia da Consciência Negra, surgiu a ideia de realizar um projeto que não necessitasse segregar brancos, negros, pardos ou amarelos.

A professora de História Ana Priscila Gomes da Rocha explica que o objetivo central seria mostrar que, independente das diferenças, somos todos brasileiros e devemos nos orgulhar disso. “Saber lidar com as diferenças faz parte do amplo conceito de exercício da cidadania. A partir deste pressuposto, coletivamente, foram definidas as atividades práticas extra escolares que permitissem o contato com o que realmente importa no outro, que despertassem o sentimento de empatia, que fossem capazes de nos distanciar de rótulos sociais para enxergar o indivíduo, assim como nós mesmos. Sendo assim, após algumas discussões chegamos à seguinte conclusão: só combateremos a exclusão com a inclusão, o desamor com o amor, e o desrespeito com o respeito; portanto, pequenas ações poderiam fazer a diferença, e quem sabe até a gentileza não acabaria gerando gentileza?”, afirma ela.

Exercitando a cidadania

Na sequência, compartilhando do mesmo propósito, foram definidas as seguintes ações: entrega de águas, doces, frases motivacionais e abraços em praça pública; ação de sensibilização no semáforo; ida dos alunos da rede particular a uma escola da rede pública para levar palestra e dinâmicas que os fizessem refletir sobre a crueldade da intolerância e preconceito, assim como, demostrar a importância do respeito e convivência com as diferenças; realização de palestra e dinâmicas dentro da própria escola.

A culminância do projeto aconteceu no dia 27 de novembro com a apresentação das diversas etapas através de um pequeno vídeo, além da participação dos alunos desde as imagens até a produção dos textos falados. É fundamental lembrar que os alunos se envolveram de forma totalmente voluntária, ou seja, não lhes foi oferecida nenhum tipo de pontuação, pois o intuito central era o de propagar a importância de demostrar o amor e respeito ao próximo, sem qualquer tipo de recompensa.

Registrando o projeto

Isso acrescentou mérito ao projeto, explica Ana Priscila Gomes da Rocha. “Foi lindo perceber como os alunos abraçaram a causa. E como a visão deles em relação aos sentimentos foi evoluindo ao longo dos encontros. Nossa apresentação final também foi idealizada em conjunto e cada um dos participantes contribuiu fazendo o que gostava: uns falaram, outros recitaram poema, outros dançaram, houve quem tocasse, quem cantasse e quem controlasse som e iluminação. Enquanto professora, orientei e coordenei o projeto, mas ouso dizer que trabalhei nos bastidores, enquanto eles protagonizaram”, diz.

A cada apresentação abertas aos pais, alunos do ensino fundamental (anos iniciais e finais) e funcionários da instituição, a emoção e comprometimento dos alunos foi notória. Entre as músicas utilizadas estavam: “Ame mais, julgue menos” (Marcela Tais), “O canto das três raças” (Clara Nunes) e “One Day” (Matisyahu), utilizada no vídeo de apresentação das vivências e com letra trabalhada em sala pela professora de inglês Laís Laudicéia. Recitou-se ainda o poema “Miscigenação”, de Botelho Campos.

Baixo custo

Com relação ao orçamento, a professora explica que o custo foi mínimo. “Na primeira ação doei as águas. Ao observarem minha iniciativa, os alunos seguiram meu exemplo e doaram as guloseimas que foram direcionadas aos alunos da escola que visitamos. Além disso, escolhemos locais próximos e não tivemos despesas com transporte. O vídeo foi produzido (edição e imagens aéreas) com a ajuda de parceiros que acreditaram na importância do projeto. Todas as demais imagens e atividades foram desenvolvidas pelos alunos sob nossa orientação. Também contamos com o apoio do professor de artes Rafael Rocha, que se disponibilizou a trabalhar a formação cultural brasileira sob diferentes influências.”

“Aproveito este post para agradecer o apoio de gestão e coordenação pedagógica, na pessoa de Nathalia Barreto, que acreditou e auxiliou todo o desenvolvimento do projeto. Não deixem de assistir aos vídeos, e desde já me desculpo pela qualidade das imagens, pois são vídeos amadores.”

Como fazer na minha escola:

A dica central para realização do projeto é justamente o trabalho em sala. Como foi um projeto pensado e desenvolvido por um grupo restrito de alunos, trabalhamos fora do horário escolar, mas as redes sociais serviram de aliadas para divulgação e interação, assim atingimos um número bem maior de pessoas.

Para ver outros projetos de destaque na educação navegue em https://www.rededeexperiencias.com.br/na-pratica. E se sua escola também promove e incentiva a participação dos alunos em projetos incríveis, compartilhe conosco em https://bit.ly/2HRdQQ7

Fotos: Escola Santa Mônica
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