Cotas: cidadania além dos muros da escola

Numa aula de sociologia do Colégio Max, de Taubaté, interior de São Paulo, os alunos do terceiro ano do Ensino Médio debatiam o tema “Cotas: necessidade ou retrocesso?”. O professor, Vitor Teixeira, questionava os estudantes sobre o significado e uso desse tipo de ação afirmativa no Brasil, tendo como fio condutor o sistema de cotas em universidades e concursos públicos.

Alunos saem às ruas para discutir o sistema de cotas.

Durante a atividade, o professor constatou que boa parte dos alunos não sabia o que era nem para que servia o sistema de cotas em nosso país. Foi a deixa, então, para aprofundar o assunto. Sob o ponto de vista sociológico, quais eram as relações existentes entre democracia, cidadania e diversidade? A ação política é de exclusivo domínio do Estado ou também tem presença reconhecida nas relações sociais cotidianas?

 

Com o intuito de provocar nos alunos a reflexão, Vitor Teixeira promoveu em sala um debate, com pontos de vistas a favor e contrários ao sistema de cotas nas universidades.

Na ocasião, os alunos não apenas se mostraram favoráveis ao sistema de cotas como também propuseram a realização de um protesto pacífico, para levar o assunto ao conhecimento da população da cidade – o que foi prontamente aceito pelo professor e pela direção do colégio.

O passo seguinte foi escolher um local em que houvesse grande trânsito de pessoas – mas não de carros -, com autorização do Departamento de Trânsito da cidade. O ponto escolhido foi a Praça Dom Epaminondas, uma das mais movimentadas da região.

Aluna participante do colégio entrevista casal.

Para a manifestação, os alunos prepararam vários cartazes, alguns favoráveis ao programa de cotas em universidades, outros com questionamentos que induziam a população local à reflexão sobre o tema. Também foi realizada uma enquete para aferir a opinião dos taubateanos sobre o sistema de cotas.

O resultado da atividade superou todas as expectativas. “Através do processo de ensino e aprendizagem pudemos gerar significado para além dos muros do colégio e alcançar a comunidade. Foi perceptível o desenvolvimento do altruísmo nos alunos, que, mesmo estando em uma escola particular, entenderam a relevância do tema para a sociedade. Mais do que isso, mostraram o interesse pela mobilização em torno de propostas de conscientização como essa e pela construção de um mundo melhor”, narra, satisfeito, o professor.

Como aplicar o “Cotas: necessidade ou retrocesso?” na sua escola

Levante o assunto em sala de aula (pode ser outro tema). Questione os alunos para avaliar nível de conhecimento deles.

Após essa avaliação, promova um debate em sala, provocando os alunos a pensar pontos favoráveis e contrários à questão. Desse debate pode surgir ou se incentivar a necessidade de levar o assunto também para fora da escola, até a comunidade local.

Para essa abrangência além da escola, deve-se escolher um local de grande circulação de pessoas, mas sem carros, como uma praça, buscando-se a permissão do departamento de trânsito da região.

A atividade fora da escola pode ser enriquecida com cartazes informativos sobre o tema e pesquisas de opinião a serem realizadas com os transeuntes.

Como resultado da ação, a escola poderá perceber o engajamento dos alunos em questões de relevância social. Assim, o processo de ensino e aprendizagem pode gerar significado para além dos muros do colégio, o que ajudará na construção e formação de cada indivíduo.

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Um comentário em “Cotas: cidadania além dos muros da escola

  • 26 de abril de 2018 em 16:32
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    Parabéns! Excelente Projeto, pois saiu dos muros da escola inserindo este à participação da comunidade. Isso com certeza trata-se da aprendizagem significativa! Sucesso à todos os envolvidos!

    Abraços,
    Lidiane Marques de Souza Moraes
    Diretora Pedagógica
    Instituto Educacional Marques Moraes

    Resposta

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