Colégio do RJ usa personagens de Maurício de Sousa na transmissão de valores e conhecimento

Por SOMOS Educação

Em toda escola há diversas questões de grande importância a serem trabalhadas com os alunos e o desafio de cada instituição de ensino é elaborar formas interessantes de transmiti-las. No Colégio Barão, de São João de Meriti, no Rio de Janeiro, essa preocupação é constante e o corpo docente sempre busca formas de atrair seus estudantes.

Foi com esse pensamento e com o objetivo de despertar o interesse pela leitura de forma prazerosa, dando significado aos conteúdos trabalhados em diferentes disciplinas com as turmas, que os professores da escola decidiram explorar os famosos personagens do cartunista Mauricio de Sousa. Nascia aí o projeto “Viajando com Mauricio de Sousa e sua turma”, voltado paras as turmas de 5º e 4º anos.

A professora Angélica V.S. Bravo descreve mais profundamente o projeto: “A professora Cynthia, que leciona Matemática, foi quem sugeriu trabalhar com a Turma da Mônica. A partir daí, começamos a elaborar o projeto pensando em como tratar os temas abordados pelos personagens”.

Então, conta a professora Angélica, “com o auxílio da professora Lilia (Português, Ciências e Geografia), decidimos trabalhar o bullying usando a personagem Mônica, mostrando que a violência dela era desencadeada por uma provocação contínua dos colegas. Com o Cebolinha, trabalhamos problemas de aprendizagem, dislexia e também o bullying. Já com o personagem Cascão, abordamos higiene pessoal, do ambiente e sonora. Através da Magali, falamos sobre pirâmide alimentar, alimentação saudável e obesidade. Também usamos o Pelezinho para falar de personagens comemorativos e aproveitamos para falar da importância da atividade física. Para abordar a cultura nordestina trabalhamos com o Chico Bento, contando sobre a vida no campo em comparação com a vida na cidade, e contando a história de Maria Bonita e Lampião, passeando pela literatura de cordel e pelas comidas nordestinas.”

Personagens escolhidos, o processo de aprendizado foi desenvolvido com a realização de pesquisas, debates em sala de aula e palestras organizadas de forma atrativa, contando com a presença de convidados. “Quando trouxemos para o real aquilo que era imaginário e aparentemente fictício, as crianças se motivaram e não pararam de buscar informações. Nesse processo, levamos para os alunos dados que mostravam que os personagens foram baseados em pessoas reais, o que até gerou surpresa”, relata Angélica.

Tamanha surpresa serviu de combustível para que os jovens alunos se aprofundassem nos temas em discussão. Com a ajuda dos professores, eles buscaram outros vídeos na internet, foram atrás de fotos das pessoas que inspiraram os personagens e conheceram a evolução gráfica do desenho. Cada descoberta os deixavam mais boquiabertos.

Gibi em sala de aula

As turmas mergulharam de vez nos personagens e respectivos temas. Os gibis, claro, não poderiam ficar de fora. Aliás, foram ferramenta essencial no processo de aprendizagem.

Os professores traziam os gibis para sala de aula. Cada dia, os alunos levavam um gibi para casa, além de livros de contos clássicos com os personagens de Mauricio de Sousa. “As novas descobertas na leitura foram tão prazerosas que os alunos tiveram a ideia de criar um espaço de leitura, disponibilizando livros, gibis e desenho para colorir”, comemora Angélica.

E o projeto avançou…

Mesmo com professores e alunos já totalmente mobilizados e motivados nos temas abordados, o projeto foi além. O colégio aproveitou que a sua assessora pedagógica Lucila Ferraz na infância era vizinha e amiga da família de Mauricio de Sousa e organizou uma palestra com ela, onde os alunos tiveram a oportunidade de perguntar e saber curiosidades e características dos personagens, bem como dos temas levantados em sala.

Lucila com os alunos

Para a professora Angélica, “foi mais uma valiosa oportunidade de os alunos compartilharem descobertas e conhecimento. A palestra teve tanta repercussão que outras duas foram organizadas, sendo que na última a Lucila surpreendeu a todos com um vídeo enviado pelo próprio Mauricio de Sousa, fazendo com que os alunos se sentissem muito importantes e prestigiados.”

Como resultado de todas as ações do projeto, os alunos receberam uma pequena apostila com as informações e biografia de cada personagem. “A coisa tomou proporção tão grande que eles conseguiram dar significado ao aprendizado e passaram a perceber neles características que apareciam nos personagens”, revela a professora.

Festival encerra com chave de ouro

O final de toda essa iniciativa aconteceu com a realização de um grande Festival Cultural, onde os alunos apresentaram o que aprenderam. Para isso, foram montadas tendas, que além do espaço de cada personagem, trazia a cronologia dos trabalhos e destacava alguns prêmios conquistados por Mauricio de Sousa.

O festival também dedicou o espaço nordestino, com a entrada da casa de Lampião e Maria Bonita, e um outro espaço de fotos e cantinho da leitura, onde os alunos emprestavam gibis e livros, além de desenho dos personagens para colorir. “O evento foi das 10h às 17h e os estudantes não queriam ir para casa de tão empolgados que estavam. Foi um grande sucesso, de forma que todos puderam apropriar intensamente o conhecimento! Ao final, vale destacar, cada pessoa envolvida recebeu um certificado de Honra ao Mérito, que serviu como mais um reforço positivo e reconhecimento ao conhecimento adquirido com toda essa iniciativa”, celebra Angélica.

Espaço Nordestino

 

Através do aprendizado viabilizado pelo projeto do Colégio Barão, foi possível sanar problemas de relacionamento em classe. Os alunos conseguiram olhar para o outro e perceber quando o colega não estava bem, conseguiram controlar o som da própria fala e evitar gritos, começaram a organizar piqueniques na hora do recreio, onde buscavam trazer alimentos saudáveis. Também conseguiram repartir lanches com os colegas que não traziam, ou seja, a sensibilidade para com o outro foi aflorada, assim como a preocupação com a qualidade do ambiente e da organização.

“Como resultado de todo esse empenho conseguimos despertar o prazer por diferentes tipos de leitura, o olhar sensível para com o outro e a preocupação com a higiene pessoal. Também percebemos um entrosamento maior entre os alunos e uma cumplicidade e parceria com os professores”, diz Angélica.

A professora conclui. “Eles perceberam que os probleminhas que existiam entre os colegas acabaram na Turma da Mônica jovem e aí aproveitamos para falar que quando crescemos e amadurecemos nosso olhar muda, nossas prioridades mudam. Foi uma experiência fantástica e que pretendemos repetir esse ano.”

Como fazer na minha escola:

Com o tema definido (no caso, a Turma da Mônica), incentive os alunos a pesquisar sobre o assunto;

Inicie o projeto a partir de algo que seja atrativo para eles, um personagem, uma história, uma música, e relacione tudo isso com o conteúdo que se pretende trabalhar. No nosso projeto, por exemplo, trabalhamos o fato de a Mônica bater não por ser malvada, mas porque fica irritada com o bullying que sofre. Destacamos que ela está errada, assim como seus colegas que a provocam;

Como o exemplo acima, conduza o aluno para uma reflexão sobre os temas, acrescente no projeto outros livros sobre os temas tratados, com relatos reais; mostre os riscos de decisões e escolhas erradas;

Explore além da sala de aula; crie eventos fora, de forma que os alunos possam assistir vídeos sobre o tema, falar sobre o assunto e expor suas descobertas e dúvidas;

Depois, crie uma data para marcar o grande final do projeto, abrindo a escola para pais e familiares. E lembre-se: saiba elogiar e conduzir o aluno em busca da construção significativa do conhecimento!

Foto: Colégio Barão

 

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6 comentários em “Colégio do RJ usa personagens de Maurício de Sousa na transmissão de valores e conhecimento

  • 10 de março de 2018 em 17:42
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    Foi gratificante fazer esse trabalho e a realização foi possível pela a parceria com a Direção da escola, minhas parceiras Lilia e Chintia e nossos alunos. Nossos discentes foram muito empenhados.

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  • 11 de março de 2018 em 11:47
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    Bom dia. Sabendo que o comentário só será publicado após avaliação decidi deixar aqui algumas observações. Nós falamos sobre higiene ( pessoal, ambiente, sonora, etc) utilizando o Cascão. O mesmo na foi citado. Na parte do reforço positivo fizemos um evento com entrega de certificados confeccionados na própria escola. Acho que poderia ser um detalhe a mais nas informações. Desculpe qualquer coisa.

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    • 13 de março de 2018 em 16:25
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      Fizemos ajustes no texto. Obrigado e parabéns!

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      • 23 de março de 2018 em 14:57
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        Obrigada pela atenção e carinho. Abraços.

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  • 13 de março de 2018 em 19:32
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    Excelente projeto. Parabéns Colégio Barão e Parabéns Assessora Lucila!!

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    • 23 de março de 2018 em 14:58
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      Obrigada Dani. Foi muito bom e nossa assessora Lucila

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