Corrupção debatida em forma de cordel

Por SOMOS Educação

O Colégio Rui Barbosa, de Maceió, Alagoas, aproveitou o triste momento vivido no país para provocar a reflexão crítica de seus alunos sobre o contexto político brasileiro através da leitura e produção de gêneros textuais derivados da cultura nordestina. Foi com essa temática que a instituição desenvolveu o projeto “Escândalos de Corrupção no Brasil”.

O trabalho aconteceu durante o primeiro semestre de 2017, culminando em junho passado, época dos festejos juninos. Os detalhes são contados pela professora Elienai Soares Souza: “A temática transversal visava trazer aos alunos o conhecimento sobre o contexto no qual estão inseridos. Dessa maneira, buscou-se trazer nas aulas de língua portuguesa mais do que aprender a língua desassociada dos saberes já existentes e da vida desses estudantes”.

A partir disso, foram traçados alguns objetivos específicos, “entre eles o de compreender a estrutura dos gêneros cordel, causo, conto e repente; refletir sobre a estrutura do cordel, produzindo oralmente as produções iniciais; apresentar um conto sobre o tema escolhido pela turma e que tivesse a ver com os grandes escândalos de corrupção ocorridos nos últimos anos; e culminar o projeto com apresentações dos repentes, causos e contos produzidos nas aulas”, explica Elienai.

Projeto em etapas

Para alcançar todos esses objetivos, o projeto transcorreu em várias etapas. No primeiro momento, houve a leitura de cordéis por parte do professor sobre os mais variados temas. Depois, lançou-se a situação problema a respeito de principais características em comum nos textos lidos.

Nas etapas seguintes, os alunos levantaram pesquisas sobre as temáticas (Operação Lava Jato, Sanguessuga, Carne Fraca etc) e estudaram sobre as mesmas. “Após esse primeiro momento de reflexões, ocorreram debates para que os alunos compreendessem o contexto político do Brasil”, detalha a professora.

Nas semanas seguintes, o professor lançou às turmas do fundamental anos finais e ao médio a proposta de elaborar narrativas sobre as pesquisas que foram enquadradas nos gêneros conto e causo. Para isso, abordaram-se as características dos gêneros e orientou-se a produção dos textos iniciais.

Com o uso do gênero de cordel…

Enquanto se dividiam em grupos, o professor delimitou as tarefas e os gêneros de cada grupo: cordel, causo e conto. Os alunos produziram manualmente os textos e entregaram para que fossem corrigidos pelo professor responsável pela disciplina de produção textual.

Mais produção

Além de toda essa parte de criação e elaboração, os alunos também produziram as capas dos cordéis com xilogravuras aprendidas nas aulas. “As figuras foram feitas com isopor e tinta guache ao invés de tinta e madeira, pois os alunos poderiam se cortar ao talharem a madeira”, diz Elienai.

Ao chegar junho, os alunos prepararam toda estrutura para apresentação durante nas festas juninas. Nessas apresentações, os estudantes apresentaram causos e contos focados em trazer uma contação de histórias e, ao trazerem os cordéis, cantaram em forma de repente.

A professora conta como se deu a avaliação de todo esse projeto: “para que se pudesse avaliar as apresentações orais, foi convidada uma banca composta por um deputado federal de Alagoas, os professores envolvidos no projeto e o professor de dança da escola. A coordenação da escola apresentou e mediou todos as apresentações e os alunos tiveram a oportunidade de mostrar aos pais e à comunidade todo aprendizado significativo, mostrando também a posição crítica sobre o contexto das pesquisas estudadas”.

O resultado de toda essa mobilização foi maravilhoso, na visão da professora Elienai. “Pode-se afirmar que os alunos foram além da sala de aula, além do estudo do texto como pretexto, pois uniram a cultura do nordeste em meio ao mês em que se comemora os festejos juninos e também puderam compartilhar os saberes aprendidos, de forma crítica. Além disso, também foi possível notar que os alunos se empenharam nas atividades que definitivamente fazem parte do contexto no qual vivem, representando assim, uma aprendizagem significativa. Foi possível perceber que os impactos aconteceram tanto na vida pessoal dos alunos quanto na vida escolar, pois a leitura e a produção de textos orais e escritos lhes trouxeram também uma leitura de mundo”, conclui, satisfeita, a professora.

…alunos abordam a corrupção no Brasil

Como fazer na minha escola:

As atividades podem ser feitas na sala de aula nas aulas de língua portuguesa e de artes. Pode-se seguir os passos abaixo:

Trazer a caracterização dos gêneros nas aulas de língua portuguesa;

Discutir, através de debates e palestras os assuntos escolhidos (pode ser sobre qualquer contexto e tema transversal);

Organizar os festejos e a decoração para uma grande apresentação;

Organizar a culminância de todo o projeto, trazendo uma banca para avaliação dos alunos.

Foto: Colégio Rui Barbosa e Shutterstock
Compartilhe nas suas redes

2 comentários em “Corrupção debatida em forma de cordel

  • 21 de fevereiro de 2018 em 13:33
    Permalink

    Parabéns pelo lindo Projeto! Estaremos usando este como referência, visto que neste ano trabalharemos o Projeto Inteligências Múltiplas em que cada professor estará destacando um subtema em sua área! Assim, em Português e Literatura escolheu-se trabalhar com Cordéis e os Clássicos da Literatura, trabalhando ainda a interdisciplinaridade em que se fará por meio das disciplinas: Literatura, Gramática, Arte, História e Geografia. Somos agradecidos pela contribuição do Projeto desta escola, pois nos servirá como grande inspiração! Desde já apresento meus sinceros agradecimentos! Lidiane Marques de Souza. Moraes, Diretora.

    Resposta

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *