Por mais tolerância e respeito

Por SOMOS Educação

O projeto que você conhecerá nas próximas linhas veio de Volta Redonda (RJ), especificamente do Colégio Garra Vestibulares. A iniciativa teve como foco o fortalecimento de valores como tolerância e respeito, tendo como motivador a série mundialmente conhecida “13 Reasons Why”.

O trabalho foi realizado em parceria entre vários professores do colégio, que abraçaram a ideia de envolver os estudantes na triste realidade de intolerância e injustiça presente na sociedade brasileira, dois fatores desencadeadores do bullying. A série de sucesso foi utilizada por muitos alunos para contar o que já tinham sofrido.

“Aproveitamos esses relatos e, então, pensamos na construção do projeto. Tínhamos vários objetivos, entre eles debater um tema central, despertar e amadurecer o senso crítico, exercitar a expressão e o raciocínio, além de posicionar-se de maneira responsável”, explica a professora de português do colégio, Paula Mendonça de Freitas.

A professora também destacou outras frentes possíveis com a proposta. “Com ela, também propiciamos a integração entre alunos, professores e familiares, desenvolvemos o hábito da leitura de periódicos como jornais e revistas. Mostramos ainda como se dá um julgamento real de um júri popular e, claro, elucidamos a importância da convivência com o outro, exercitando a tolerância e o respeito ao próximo”.

Trabalho com a tolerância em várias fases

Para dar início ao projeto, a escola realizou um Café Filosófico. Professores das disciplinas de Português, Arte, História e Filosofia se reuniram com os estudantes para introduzir o tema. Para o dia, foi pedido aos alunos que pesquisassem sobre intolerância.

No dia do Café Filosófico, os professores elaboraram ciclos de debates utilizando a estratégia de Grupo Verbalizador (GV) e Grupo Observador (GO), onde ora os alunos faziam parte do primeiro grupo, ora do segundo.

“Em seguida, o professor de Arte trabalhou uma técnica de teatro nomeada de Teatro do Oprimido. Ela consiste na criação de esquetes de uma injustiça representada pelos próprios estudantes. A apresentação gerou debate até que a situação fosse solucionada. O aluno que desse a solução substituiria alguém do grupo e a esquete seria reencenada, mas agora com uma nova personagem desfazendo a injustiça”, descreve Paula.

A mesma técnica teatral também foi elaborada com os pais, que assistiam a apresentação e após o debate interferiam, desfazendo a injustiça.

Reflexões projetadas

Ao término dessa etapa, foi o momento do ‘escurinho do cinema’. O filme projetado foi um documentário chamado “Bullying”, com situações reais de diferentes casos.

Quatro desses casos foram selecionados e distribuídos para as turmas, então divididas em quatro grupos. Agora, entrava a produção de texto. Primeiramente, os alunos tiveram que escrever a história (narrativa) levando em conta o caso que tinham escolhido, com as adaptações necessárias. Em seguida, uma palestra com um advogado foi feita para explanação de como funciona um julgamento.

“A partir daí, os grupos tiveram que montar seus julgamentos de acordo com os casos. Eles escreviam suas acusações e defesas utilizando o tipo textual argumentação. Fizeram muitos textos argumentativos. E para finalizar, fomos ao Fórum de Volta Redonda – no tribunal do júri – local cedido pelo Juiz da Primeira Vara Criminal, tendo em vista a seriedade de nossa instituição. No Júri Simulado, cada grupo apresentou seu julgamento e os jurados foram os familiares. Uma experiência e tanto para todos os envolvidos”, ressalta a professora.

Aprendizados

O projeto foi tão marcante que os próprios estudantes relataram aos professores os aprendizados. “Muito além dos conteúdos curriculares, como a técnica da redação argumentativa, os alunos tornaram-se conhecedores e militantes de um país mais justo e igualitário e cidadãos conscientes. Pudemos crescer juntos, trocando ensinamentos e formas de pensar sobre muitos dos temas trabalhados tendo como fio condutor a intolerância e o bullying. Entre tantos exemplos, falamos sobre a xenofobia, o racismo, a homofobia e a intolerância religiosa, temas infelizmente muito presentes em nossa sociedade atual”, destaca a professora Paula.

Como fazer na minha escola:

Incentive a pesquisa inicial sobre o tema.

Realize uma espécie de Café Filosófico, onde professores de várias disciplinas debatem com os alunos o assunto, sob suas diferentes óticas.

Promova peças teatrais e, se possível, traga os pais para interagirem às apresentações.

Projete filmes que tratem do tema, além de elaborar atividades dissertativas, com a construção de textos argumentativos.

Tente trazer algum especialista para uma palestra com os estudantes. E caso tenha a mesma possibilidade que o colégio Garra Vestibulares, visite um tribunal de justiça, onde os alunos poderão vivenciar um pouco o espírito de um julgamento, o que ajuda a construir e consolidar aprendizado sobre tolerância e respeito.

Quer conhecer outros projetos de destaque na educação? Saiba mais em https://www.rededeexperiencias.com.br/na-pratica. E se sua escola também promove e incentiva a participação dos alunos em projetos incríveis, compartilhe conosco em https://bit.ly/2HRdQQ7.

Foto: Colégio Garra Vestibulares
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