Tabela periódica: cada um no seu quadrado

Por SOMOS Educação

Ensinar química de um jeito diferente. Essa foi a proposta do “Projeto Desafio de Química”, idealizado pela professora Simone Gomes de Araújo, do Colégio Santo Agostinho, na Praia Grande, em São Paulo. A ideia surgiu graças ao envolvimento de uma turma do primeiro ano do Ensino Médio, muito curiosa e interessada.

Ao perceber os alunos sempre muito questionadores quanto às várias formas de solucionar uma questão – e procurando encontrar diversos caminhos para resolver os seus exercícios – surgiu a ideia de lhes propor um desafio.

Após o término do livro um, Simone propôs aos jovens escolherem, dentre todos os assuntos estudados, algum com o qual sentissem maior afinidade, ou mesmo um tópico que demoraram mais a compreender – e, a partir daí, criar uma forma dinâmica e criativa de apresentar o tema para toda a turma. Eis que surge o Projeto Desafio de Química. “A turma foi dividida em cinco grupos e todos tiveram um mês para criar, organizar, desenvolver e apresentar o trabalho”, explica a professora. O objetivo era dinamizar o estudo de química através da criação de uma proposta lúdica de aprendizagem.

Como método de aplicação da proposta, cada grupo deveria apresentar para os demais um desafio criado mediante a escolha de conteúdos abordados no livro um. “Como foi o primeiro projeto prático elaborado e organizado apenas pelos alunos percebi, na apresentação dos grupos, certa insegurança e falta de organização em algumas equipes, apesar de os projetos serem maravilhosos”, revela a professora Simone Gomes de Araújo.

Para minimizar o impacto, a docente chamou cada equipe e pontuou os aspectos positivos e negativos, mostrando-lhes uma ficha de avaliação do trabalho que havia sido montado e sugerindo um novo prazo para a reapresentação. O resultado foi um grande sucesso. Além de excelente organização, participação e clareza ao explicar a cada grupo suas propostas, as equipes dinamizaram na quadra da escola o ensino de química. Como resultado adicional, ao verem o movimento e organização, os alunos do segundo ano pediram para participar.

 Equipe 1: Paródia dos Íons

Criou-se uma paródia envolvendo o conceito de íons (cátions e ânions), e como determinar a quantidade de elétrons e prótons em cada, além da localização de elementos na tabela periódica. Uma letra de música foi entregue aos demais grupos e todos aprenderam a cantar juntos.

Equipe 2: Jogo da tabela periódica

Esta equipe elaborou e aplicou um jogo no qual a cartela era a tabela periódica e, mediante a resposta dada em um cartão surpresa, os alunos iam movendo os pinos pela tabela até chegarem ao resultado. Foram trabalhados os conceitos de períodos, famílias, estados de agregação e aplicação dos elementos no cotidiano. No jogo seria vencedora a equipe que chegasse primeiro ao seu objetivo.

Equipe 3: Integrando química com matemática

Esta equipe distribuiu os demais alunos pelas mesas previamente organizadas, as quais continham uma tabela e um envelope. A um sinal os alunos abriam um envelope no qual continha um desafio: localizar e identificar um elemento químico mediante a resolução de uma equação do 2º grau; encontrando o elemento desejado através da observação de suas raízes e adequação aos questionamentos. Vencedora seria a equipe que terminasse primeiro.

Equipe 4: Torta na cara da tabela periódica

Os alunos desta equipe montaram uma mesa, onde duas lâmpadas paralelas se acendiam ao toque de um interruptor. Os demais alunos foram organizados em duplas para competirem. Frente a frente, os alunos com a mão para cima ouviam o representante da equipe falar o nome de um elemento químico. Com uma tabela a sua frente, ao ouvir o nome do elemento o aluno que acendesse a luz primeiro localizaria o elemento na tabela e identificaria seu símbolo, localização, família e período. Quem perdesse levava uma torta no rosto.

Equipe 5: Quiz

A equipe elaborou um quiz sobre diversos conteúdos do livro um e, separados em duplas concorrentes, o aluno que acertasse primeiro levaria um prêmio, enquanto o outro um prato de chatilly no rosto.

“O resultado foi totalmente acima do esperado”, avalia a professora. “Foi um projeto incrível que servirá de base para outros do mesmo porte mediante a conclusão dos demais livros. Além disso, para os alunos do primeiro ano que elaboraram os jogos foi um aprendizado maravilhoso”.

COMO FAZER EM MINHA ESCOLA

Aproveitando esta ideia para melhor dinamizar o ensino de química, Simone informa que o projeto pode ser aplicado nas turmas de 9º ano como introdução à química e para as demais séries do Ensino Médio como revisão.

– Reunir os alunos e propor um desafio de projeto mediante os conteúdos aprendidos em aula.

– Dividir a turma em grupos, explicar a forma de trabalho e a dinâmica de apresentação.

– Elaborar uma ficha de avaliação e definir os critérios juntamente com a turma.

– Estipular um prazo e marcar uma data para a apresentação dos grupos para toda a classe.

– Se possível, compartilhar a experiência com os demais anos.

Fotos: Colégio Santo Agostinho / Divulgação
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