Uma escola acolhedora para pais e alunos

Por SOMOS Educação

O ditado “A primeira impressão é a que fica” também vale no mundo educacional, principalmente para quem está pisando na escola pela primeira vez e, claro, também para seus responsáveis. Para eles, a experiência acolhedora nesse momento pode fazer toda a diferença e dar a segurança necessária para facilitar o início da vida escolar de seus pequenos. Foi pensando dessa maneira que a Escola Impacto, de Centralina (MG), desenvolveu o seu Projeto de Adaptação Escolar da Educação Infantil.

“O projeto teve como objetivo familiarizar crianças e pais ao espaço escolar e à sua rotina, despertando momentos de muita alegria e de segurança. Tudo para que a adaptação ocorresse da forma mais tranquila possível, com a criação de vínculos de afetividade e de relacionamento entre professor\aluno\família desde o primeiro dia”, afirma a secretária da instituição de ensino, Rosangela Vieira de Araujo.

Para Rosangela, o desenvolvimento de aprendizagem saudável entre os educandos e a adaptação dos mesmos aos meios físico e social é imprescindível para o desenvolvimento do processo de construção e da realidade em que ele vive.

“Percebe-se que o afeto é um grande laço que liga o professor e aluno, e ele é baseado no fator segurança. Nesse processo de conquista, a segurança que o aluno constrói também passa pelo mesmo sentimento que a família lhe transmite ao repassá-lo ao professor”.

Acolhedora e íntima desde o início

Para o sucesso nessa construção, a escola não se absteve da profundidade que envolve a relação desde o início. “Esse momento é valioso, sob o risco de, se mal aproveitado, criar sentimentos que causam o efeito contrário, ou seja, afastarem a criança da escola, estigmatizando a instituição como um lugar gerador de medo”, ressalta Rosangela.

Para dar toda a segurança e aprofundar a relação entre educador e educando, com autoestima e outros valores essenciais para garantir uma aprendizagem agradável e sadia, o colégio realizou o projeto de adaptação por um período de 15 dias.

Como tudo aconteceu

Tudo começou com a realização de uma reunião com todos os pais da Educação Infantil dois dias antes das aulas iniciarem. Nesse encontro, foram transmitidas informações como dias, horários das atividades e os objetivos que a escola propunha como o período de adaptação.

Na mesma ocasião, foi distribuído um livro de apresentação da escola. Os pais ainda receberam algumas dicas de adaptação válidas para eles e para seus filhos.

No primeiro dia de aula, então, as crianças que já estudaram no ano anterior na escola foram acolhidas pelas professoras do ano de 2017 e trazidas pelos pais. As professoras de 2017 apresentaram as novas professoras de 2018 e essas foram se aproximando das crianças e dos pais.

Como o ambiente já era conhecido e as professoras também, o acolhimento se deu rapidamente. “Isso fez com que as crianças novatas fossem recepcionadas com seus pais nesse ambiente, também sentindo-se acolhidas pelas outras crianças”, explica Rosangela.

Nesse dia, as professoras também trouxeram um pintinho e mostraram como o animal vivia, o que logo atraiu a atenção dos alunos recém-chegados. Os pais acompanhavam tudo de perto e as crianças ficaram na escola somente dois horários e meio.

No segundo dia de aula, a professora regente assumiu a sala. Ali, foi montado o cantinho da família, onde os pais trouxeram fotos deles com seus filhos. Juntos, pais e filhos construíram um painel e pregaram na parede, com o objetivo de passar a segurança para o professor e para a escola. Assim, quando os filhos sentissem saudades bastava olhar na foto que eles também sentiriam o mesmo sentimento, e que logo ao final do trabalho dos pais eles voltariam para pegá-los.

No mesmo dia, outra atividade elaborada foi a brincadeira com os pais de caça ao tesouro, onde o maior tesouro dos pais eram seus filhos. O prêmio era uma medalha com a foto da criança. Os alunos saíram mais cedo novamente, mas dessa vez todos lancharam na sala de aula antes de voltarem para casa.

Evolução na adaptação

No terceiro dia de aula, a adaptação subiu mais um degrau. Ao chegar com seus filhos na escola, os pais caminhavam até o painel e falavam sobre as fotos, enquanto brincavam um pouco mais com seus pequenos. Assim que o último pai chegava, acontecia a despedida, realizada de uma só vez.

“Nesse momento, havia auxiliares a mais para ajudar na sala. E tão logo os pais saiam as atividades eram iniciadas, com contação de estórias pelas professoras. A contação era recheada com fantasias que as professoras trajavam e as crianças que quisessem também podiam vestir”, detalha Rosangela.

Nesse dia, foram trabalhadas somente atividades lúdicas com as crianças, como dança, jogos e colagem. A carga horária foi um pouco maior do que na aula anterior.

Na aula seguinte, com todo o acolhimento dos dias anteriores já traduzido em mais segurança para os alunos, aqueles que já estudavam na escola entravam sozinho na sala de aula.

Os novatos ainda dependiam dos pais, mas depois que os responsáveis os deixavam, eles já entravam na dinâmica de sala. O professor então já podia entrar em seu planejamento, sem deixar de lado as atividades lúdicas, que incluíam sessão de cinema com pipoca, mais jogos entre os colegas de classe e muitas brincadeiras. E a partir daí, os alunos iniciavam a saída em horário normal.

No quinto dia de aula, com os alunos já bem adaptados, o horário de saída passou a ser normal. Quer dizer, quase normal, já que os estudantes receberam no final do dia uma sacola surpresa com brinquedo, jogo ou livro.

“O objetivo era que eles levassem para casa, onde os pais registravam no Caderno da Família como foi o momento da adaptação e como foi a reação da criança ao ganhar a surpresa, simbolizando que ele já é um amigo a escola”, afirma Rosangela.

Com todo acolhimento e carinho, a adaptação dos alunos não poderia ter sido melhor. “A afetividade é a mistura de todos esses sentimentos, que ensina a aprender e a cuidar adequadamente de todas essas emoções. É o que vai proporcionar ao sujeito uma vida emocional plena e equilibrada. É o que transmitimos através dessa nossa iniciativa”, conclui Rosangela.

Como fazer na minha escola:

Para aplicar esse projeto é preciso que cada escola conheça sua clientela.

Também é necessário dar ênfase na pedagogia afetiva, pois os professores devem estar engajados nesse hábito, onde o olhar para o outro é o maior foco de sucesso do projeto.

Com essa orientação, pode-se seguir a mesma dinâmica descrita acima e conseguirá perceber a rápida e positiva adaptação dos alunos com a escola, funcionários, colegas de sala e professores.

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Foto: Escola Impacto
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